Bettencourt, Aníbal de (Annibal de)

Angra do Heroísmo, 16 abril 1868 — Lisboa, 8 janeiro 1930

Palavras-chave: Instituto Bacteriológico Câmara Pestana, Faculdade de Medicina, bacteriologia, parasitologia, helmintologia, medicina veterinária, doença do sono, Bilharziose.

Aníbal de Bettencourt, médico, era filho de Nicolau Moniz de Bettencourt (licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, escrivão e tabelião na Câmara Municipal de Angra do Heroísmo)  e de  Francisca Virgínia Castel Branco de Bettencourt (filha única de José Tristão da Cunha Silveira de Bettencourt e de D. Francisca Carolina de Mendonça Pacheco de Melo).

Era o mais velho de quatro irmãos, Nicolau Anastácio de Bettencourt, José Tristão de Bettencourt e Guiomar Moniz de Bettencourt. Cresceu em Angra do Heroísmo até ao momento de se matricular no curso de Medicina e Cirurgia, na Escola Médico-cirúrgica de Lisboa. Ainda estudante, sentiu-se atraído pela Bacteriologia, uma área que estava a dar os primeiros passos em Portugal, por influência de Luís da Câmara Pestana, um pouco mais velho do que ele. Ao seu lado, deu inícioaos primeiros trabalhos bacteriológicos, no Laboratório Municipal de Lisboa, situado na Rua da Madalena, dirigido por José J. da Silva Amado. Analisou a qualidade bacteriológica da água de abastecimento à cidade de Lisboa em 1892 e, no ano seguinte, a 27 de julho de 1893, terminou o curso de medicina. Defendeu uma tese intitulada, “B. typhico e B. coli. Um novo argumento a favor da sua identidade”, na qual procurou estabelecer uma relação entre estes dois microrganismos. Foi imediatamente contratado como médico auxiliar de laboratório do Instituto Bacteriológico de Lisboa, criado a 29 de dezembro de 1892 e instalado em três compartimentos de um pavilhão do Hospital de São José. Com o seu professor, Câmara Pestana, fez o estudo bacteriológico da epidemia que assolou Lisboa, em 1894; realizou os ensaios para utilização do tratamento antirrábico pelo método de Pasteur; elaborou o relatório das vacinações contra a raiva realizadas ao longo do país e descreveu um caso de siringomielia em cuja autópsia foi identificado o bacilo da peste, em 1896. 

Casou com Dídia Clotilde Corte Real Martins, de quem teve dois filhos, Maria Clotilde Corte Real Moniz de Bettencourt e Nicolau José Martins de Bettencourt. Dídia faleceu em 1903, com 29 anos. 

Em 1899, Câmara Pestana foi vitimado pela peste bubónica que investigava no Porto, a pedido de Ricardo Jorge. Antes de morrer, recomendou à rainha D. Amélia que escolhesse Aníbal de Bettencourt para seu sucessor, tal a confiança que depositava neste seu discípulo. A 30 de novembro de 1899, quinze dias após a morte de Câmara Pestana, Aníbal de Bettencourt assumiu a direção do Instituto.     

Sob proposta de Miguel Bombarda, na Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, em 1901, foi nomeada uma missão de estudo à doença do sono a Angola, à época uma das colónias portuguesas mais ricas e simultaneamente mais fustigada pela epidemia. Coube a Aníbal de Bettencourt a liderança desta missão e a escolha de uma equipa constituída por médicos do seu Instituto: Ayres José Kopke Correia Pinto, José Gomes de Rezende Junior e João Brás de Gouveia e ainda Aníbal Celestino Correia Mendes, seu cunhado e diretor do laboratório bacteriológico do Hospital de Luanda. Foi a primeira missão de estudo europeia a fazer o estudo da doença em território africano, que se transformava assim num laboratório vivo, por excelência. A missão partiu de Lisboa no dia 21 de abril de 1901 e regressou a Lisboa, precisamente um ano depois. Os primeiros resultados eram animadores e colocavam a equipa portuguesa como pioneira na descoberta do agente causador da doença: um bacilo (o hypnococo). Todavia, tudo se modificou a partir de 1903, sendo a missão médica da Royal Society of London a protagonista desta descoberta, como resultado das contribuições de Aldo Castellani e David Bruce: o agente causal da doença era afinal um protozoário (o tripanossoma).

Em 1903, Aníbal de Bettencourt deslocou-se à Alemanha onde procurou reunir elementos que lhe permitissem organizar o seu Instituto, que recebera a designação de Instituto Bacteriológico Câmara Pestana (IBCP) no ano anterior. Sob sua gestão foi construído o novo edifício, projetado por Pedro Romano Folque, num convento de freiras franciscanas em ruínas no Campo dos Mártires da Pátria, e reorganizada a investigação e a assistência médica: a profilaxia antirrábica, o tratamento da difteria, a preparação de soros e vacinas, as análises clínicas e o ensino prático da bacteriologia. 

Este instituto constituía-se como um espaço privilegiado de investigação médica, tornando-se uma instituição modelar na primeira metade do século XX em Lisboa. Bettencourt era coadjuvado na sua direção pelo médico Morais Sarmento, na qualidade de subdiretor;  Júlio de Bettencourt, como secretário;  Carlos França, Gomes de Rezende e o veterinário Reis Martins, como médicos auxiliares;  Marck Athias (discípulo de Mathias Duval), chefe de serviço da raiva;  Ayres Kopke, chefe de serviço da tuberculose;  Ildefonso Borges, (diretor de um laboratório veterinário fundado em Angra do Heroísmo),  e por Nicolau de Bettencourt, seu irmão e futuro sucessor na direção do Instituto. Contava ainda com os assistentes, Azevedo Gomes, Estevão Pereira da Silva, Luís Figueira e Fausto Landeiro, para além dos preparadores, das enfermeiras e do restante pessoal de apoio técnico e administrativo. 

No mesmo ano, em 1903, fez parte de uma comissão permanente de revisão da Pharmacopêa Portugueza de 1876, juntamente com dois professores da Escola Médico-cirúrgica de Lisboa (Carlos Belo de Morais e Sílvio Rebelo Alves), dois da Escola de Farmácia (José Evaristo de Morais Sarmento e António Moreira Beato), dois da Escola Politécnica de Lisboa (Aquiles Alfredo da Silveira Machado e António Xavier Pereira Coutinho) e ainda Joaquim Urbano da Veiga, como farmacêutico de reconhecida competência. Todavia, esta comissão não chegou a produzir qualquer resultado.

A partir de 1905, e na sequência do desânimo causado pela perda de protagonismo na descoberta do agente etiológico responsável pela doença do sono, Aníbal de Bettencourt dedicou-se à parasitologia, inicialmente com Carlos França, e depois com Ildefonso Borges. Determinado em identificar novos agentes patogénicos, a ele se deve a proposta do género theileria para o agente da epizootia estudada nas regiões de África oriental por Theiler. Esta proposta foi incluída no tratado de protozoologia de Wenyon, publicado em 1926.

Em 1906, participou no XV Congresso Internacional de Medicina realizado em Lisboa na qualidade de vogal da comissão executiva e presidente da comissão da secção de patologia geral, bacteriologia e anatomia patológica. Neste congresso, apresentou uma comunicação, em coautoria com Carlos França, sobre os tripanossomas, com o título, “Note sur les trypanosomes des oiseaux du Portugal”.

Dado o volume da produção científica do Instituto, no mesmo ano deu início à publicação dos Arquivos do Real Instituto Bacteriológico Câmara Pestana, revista redigida em francês, com ampla distribuição nacional e internacional, que contribuiu para a difusão dos trabalhos experimentais realizados por um conjunto de jovens empenhados em desenvolver a investigação experimental nas várias áreas das ciências da vida e da saúde. 

Em 1912 fez alguns trabalhos sobre parasitas intestinais, como a Taenia solium, a Taenia saginata e a Hymenolepis nana, identificados em casos clínicos nos hospitais portugueses. 

Os últimos trabalhos que publicou foram realizados no âmbito da Esquistossomose. Identificou com Pereira da Silva, Luís Figueira e Anthero de Seabra, vários focos de bilharziose vesical, provocada pelo Schistosoma haematobium, na região sul do país, sendo esta considerada uma doença autóctone em Portugal. 

A par de uma carreira científica e clínica, Bettencourt fez também carreira académica na Faculdade de Medicina de Lisboa, tendo sido o primeiro representante da Faculdade no Senado Universitário. Após a constituição universitária de 1911, a disciplina de Bacteriologia e Parasitologia passou a fazer parte do currículo médico. Assim, a 25 de junho, Aníbal de Bettencourt foi nomeado para a cátedra desta disciplina, lugar que manteve até falecer. Desde então, passou a acumular o cargo de diretor do IBCP. De forte cariz experimental, esta disciplina permitiu consolidar a importância de um saber laboratorial que iria conferir à geração de 1911 um lugar de destaque na modernização do ensino médico em Portugal, que se expandiu para os principais centros de referência no país. 

Aníbal de Bettencourt foi presidente de várias agremiações científicas e profissionais. Em 1907, foi escolhido para primeiro presidente da Sociedade Portuguesa de Fotografia, dada a sua perícia em microfotografia, que cultivou no seu instituto. Foi também o primeiro presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, criada por Marck Athias no seu Instituto em 1907, e da Sociedade Portuguesa de Biologia, desde 1920 até 1927. 

Foi também o representante da Microbiologia nacional em vários momentos no circuito internacional. São disso exemplo, o convite que recebeu para colaborar nas cerimónias do centenário de nascimento de Louis Pasteur, em Paris, em 1922, assim como na reunião conjunta das sociedades de Biologia em 1923. 

Era uma figura reconhecida nalguns círculos políticos, que lhe permitiu tomar parte ativa na política científica nacional. Neste contexto participou na Liga de Educação Nacional, fundada por Reis Santos e José de Magalhães, bem como na Junta Orientadora de Estudos de António Sérgio, embriões da Junta de Educação Nacional, fundada em 1929.

Foi membro de várias sociedades científicas. Foi sócio titular da Sociedade de Sciencias Medicas de Lisboa, sócio correspondente da Academia das Sciencias de Lisboa, sócio da Academia das Sciencias de Portugal, sócio correspondente do Instituto de Coimbra, membro correspondente estrangeiro da Académie Royale de Médecine de la Belgique (1922), membro honorário da Société de Pathologie Exotique de Paris (1926), membro correspondente da Société Belge de Médecine Tropicale e membro da Société Royal de Médecine de Budapest.

Em 1901, recebeu a condecoração da Ordem de Sant’Iago da Espada e de Mérito Scientifico, Literario e Artistico, pela forma como conduziu a primeira missão médica europeia em África, para o estudo da doença do sono. 

Morreu em 1930, vítima de tuberculose, no seu quarto, no Instituto.

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Sem grandes ambições de protagonismo público, Aníbal de Bettencourt deixou um legado considerável na história da medicina portuguesa das primeiras décadas do século XX, num período em que a especialização médica dava os primeiros passos, pela modernização do ensino, pela criação de institutos de investigação, pela articulação das várias instituições de assistência e ainda pela criação de organismos reguladores da política científica nacional.  

Aníbal de Bettencourt iniciou a sua investigação científica ao lado de Câmara Pestana entusiasmado pela carreira de investigação de pendor pasteuriano, “uma doença, um micróbio, uma vacina”. Com ele deu início a um percurso de institucionalização da bacteriologia médica iniciada no Instituto Bacteriológico de Lisboa (1892–1895), que recebeu a designação real nos quatro anos seguintes e se instalou definitivamente no espaço da colina de Santana, em 1899, no IBCP, hoje extinto. Dotado de um financiamento e de instalações diferenciadas, constituiu-se no principal centro de investigação em ciências biológicas e biomédicas em Lisboa, formando várias gerações de médicos que vieram a ocupar lugares de destaque na história da medicina portuguesa. Em paralelo, tinha uma vocação social valorizável: assistindo gratuitamente a população, oferecia soluções de profilaxia e tratamento para várias doenças, como a raiva ou a difteria, obtidas a partir dos laboratórios. O financiamento do Instituto proveniente do Estado e de donativos particulares foram determinantes para a organização de uma sólida estrutura de assistência e de investigação, ímpar à época, no país. 

Precocemente viúvo, Aníbal de Bettencourt terá procurado encontrar uma fonte suplementar de rendimentos através do laboratório de análises clínicas, que criou no seu Instituto. 

Pelo prestígio nacional que alcançou no âmbito da bacteriologia nos primeiros anos de investigação, Aníbal de Bettencourt foi o médico escolhido para liderar a primeira missão de estudo da doença do sono em África, pelo Estado português, numa época em que as escolas de medicina tropical europeias procuravam respostas para explicar a etiologia de algumas doenças tipicamente africanas. A equipa que escolheu foi maioritariamente recrutada no IBCP. Embora as hipóteses desta missão não tivessem sido confirmadas a seu favor, o que fragilizou a imagem de Aníbal de Bettencourt, a controvérsia que geraram na comunidade científica nacional e internacional permitem-nos avaliar o quanto esta plêiade de médicos estava alinhada com a comunidade científica internacional. 

Fora da escola médica, Aníbal de Bettencourt foi o médico que mais contribuiu para a formação de uma elite médica militante da investigação científica como alicerce para o progresso das ciências médicas e por consequência, da geração de 1911. Pelo Instituto Bacteriológico Câmara Pestana passaram vários vultos da história da medicina da época como Ayres Kopke, Marck Athias, Carlos França, Henrique Parreira, Pinto de Magalhães, Jaime Celestino da Costa, Sílvio Rebelo, Francisco Gentil ou Pulido Valente, entre muitos outros. 

Para alguns dos seus biógrafos, Aníbal de Bettencourt era considerado um patologista exímio, sem atribuir primazia ao laboratório sobre a clínica. Utilizava como modelo as doenças infeciosas e atribuía tanto ao diagnóstico laboratorial como aos dados nosológicos um papel de relevo na educação médica. 

Dizia Celestino da Costa: “adversário irredutível da organização que até então prevalecia no ensino superior português, partidário convicto da especialização, entusiasmava os novos que se reuniam no seu gabinete no Instituto e que na sua autoridade encontravam forte apoio para as suas ideias”. Ideias de um pasteuriano convicto para quem o labor científico era o alicerce do progresso médico e o instituto de investigação, o vórtice de uma estrutura organizada de investigação, suportada pela biblioteca, pelos laboratórios, ou ainda, pelas sociedades científicas que nele foram criadas, bem como os seus periódicos, canais privilegiados para divulgação da investigação realizada, entre pares.

Era uma figura de referência que estabelecia relações de cooperação muito próximas com as instituições e academias científicas europeias, científicas e médicas, das quais se destaca o Instituto Pasteur de Paris, que, por várias vezes, validou as suas observações microscópias. Esta filiação científica, plasmada na sua correspondência pessoal, permite-nos concluir que Bettencourt terá sido um médico-investigador reservado, mas tecnicamente muito competente e admirado pelos seus pares.

Apresenta uma trajetória científica diversificada, com trabalhos publicados maioritariamente com os seus colegas médicos ou veterinários. Começou com bacteriologista, atravessou a parasitologia e a helmintologia, não só no ensino como na investigação. 

Isabel Amaral

Arquivo 

Angra do Heróismo, Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro, Colecção Aníbal de Bettencourt. 

Obras

Bettencourt, Aníbal de e E. Pereira da Silva. “The Cercaria de Schistossoma haematobium.” Archivos do Instituto Bacteriologico Câmara Pestana 6 (1932): 1-21.

Bettencourt, Aníbal de e Ildefonso Borges. “Sur une Theileria parasite du Cephalophus (L.).” Archivos do Instituto Bacteriologico Câmara Pestana 3 (1912): 19-20.

Bettencourt, Aníbal de e Luís Câmara Pestana. “Contribuição para o estudo bacteriológico da epidemia de Lisboa.” Revista de Medicina e Cirurgia 1 (1894): 306-319.

Bettencourt, Aníbal de Ildefonso Borges, Antero Seabra e Pereira da Silva. “Rapport de la mission de l’Institute Câmara Pestana pour l’étude de la bilharziose au Portugal.” Archivos do Instituto Bacteriologico Câmara Pestana 5(1921): 189-230.

Bettencourt, Aníbal de, Correia Mendes, Ayres Kopke e Gomes de Resende. Doença do SomnoRelatórios enviados ao Ministério da Marinha pela missão scientifica nomeada por portaria de 21 de Fevereiro de 1901. Portugal: Ministério da Marinha e Ultramar, 1902.

Bettencourt, Aníbal de, Ildefonso Borges e Antero Seabra. “La bilharziose vésicale en tant que la maladie autochone au Portugal.” Comptes Rendus de la Société de Biologie de Paris 85 (1921): 785-786.

Bettencourt, Aníbal de, Ildefonso Borges, J. Nogueira, M. Reis Martins e Águeda Ferreira. “La pneumo-entérite du Porc (Hogcolera). Confirmation de l’éxistence du virus filterable comme cause de la maladie en Portugal.” Archivos do Instituto Bacteriologico Câmara Pestana 4 (1913): 183-193.

Bettencourt, Aníbal de. B. typhico e B. coli. Um novo argumento a favor da sua identidade. Lisboa: Typ. da Companhia Nacional Editora, 1893.

Bettencourt, Aníbal de. “Pestana e o seu Instituto Bacteriológico.” Revista Portuguesa de Medicina e Cirurgia Praticas 7 (1899):78-85.

Bettencourt, Aníbal de. “Sur la fréquence relative du Taenia solium et du Taenia saginata en Portugal.” Archivos do Instituto Bacteriologico Câmara Pestana 4 (1916): 1-5.

Bibliografia sobre o biografado

Costa, Augusto Celestino da. “Aníbal Bettencourt.” A Medicina Contemporanea, 48(3) (1930): 29-34.

Kopke, Ayres. “Prof. Aníbal Bettencourt.” Lisboa Médica 7 (2) (1930): 53-62.

Oliveira, J. Cândido de. “O centenário do Prof. Anibal Bettencourt.” Jornal da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa 132 (1-2) (1968): 1-18.

Pereira, Luísa Vilarinho. Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa 1836-1911 – Contributo para a sua memória. Lisboa: Edição de autor, 2018.

Valente, Pulido. “Títulos e obras de Aníbal Bettencourt.” Arquivos do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana 6 (2) (1930): IV-X.  

Valente, Pulido. “Prof. Aníbal Bettencourt.”Archivos do Instituto Bacteriologico Câmara Pestana 6 (1) (1932): 1-4.