Correia, António Augusto Esteves Mendes

Porto, 1888 — Lisboa, 1960

Palavras-chave:  Antropologia, Pré-História, ‘Escola Antropológica do Porto’, Homo Afer Taganus, Política colonial.

Médico, professor universitário, antropólogo, arqueólogo, divulgador científico, patrimonialista, político e fundador da ‘Escola Antropológica do Porto’, Mendes Correia nasceu a 4 de abril na capital dourense. Primeiro de quatro irmãos, pertencia a família proprietária em Vagos (por via paterna) e com ligações ao universo comercial (por linha materna), crescendo na Rua do Almada, uma das artérias principais da vida portuense da época. O pai, médico, próximo do Partido Progressista, dedicado às Letras e às Artes, colaborador de revistas científicas e membro de sociedades eruditas nortenhas,terá influído no percurso multiforme de Mendes Correia, pautado por uma curiosidade permanente e multidisciplinar.

Principiando os estudos no Colégio de Nossa Senhora da Divina Providência, no Porto, Mendes Correia ingressou no Liceu Central da mesma cidade, em 1898, onde foi aluno, entre outros, de Joaquim de Vasconcelos, fundador da História da Arte em Portugal. Desenvolvendo aqui e em simultâneo o seu gosto pelas ciências humanas e naturais, esperava-se que seguisse o exemplo do pai, formando-se em medicina. Em 1904, entrou na Academia Politécnica do Porto e dois anos depois matriculou-se no respetivo Curso Preparatório de Medicina e na Escola Médico-Cirúrgica da cidade invicta.

Mendes Correia concluiu Medicina, em 1911, na Universidade do Porto (UP) com a dissertação O Génio e o Talento na Patologia, publicada nesse ano. Não abraçou, porém, a prática clínica, dedicando-se de imediato à carreira docente, como segundo-assistente do 2.º Grupo (Ciências Biológicas), da 3.ª Secção (ciências histórico-naturais) da recém-fundada Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

Ampliando o interesse pela antropologia germinado quando estudante, Mendes Correia iniciou, em 1912,  o ensino desta ciência na FCUP, criando o laboratório e o museu antropológicos, cuja direcção viria a assumir entre 1926 e 1958. O museu foi constituído por artefactos pré-históricos, proto-históricos e romanos, juntamente com objectos etnográficos e exemplares de antropologia física, a maioria dos quais obtida em escavações arqueológicas (nomeadamente dos concheiros de Muge) e missões antropológicas em Portugal continental e no Ultramar, algumas delas realizadas sob orientação de Mendes Correia. 

Firmaram-se assim os primórdios da “Escola Antropológica Portuense”, onde, com colaboradores próximos (Rui de Serpa Pinto, Alfredo Athayde e Santos Júnior), Mendes Correia incentivou a transversalidade da produção, transmissão e recepção nacional e internacional de conhecimentos no domínio da antropologia. Antropologia que entendia de modo holístico, ao abranger ciências autonomizadas posteriormente, como a geologia, a primatologia (cujo desenvolvimento impulsionou entre nós), a antropologia biológica e cultural, a etnografia, a etnologia (incluindo a etnopsicologia) e a arqueologia (mormente pré-histórica). Cumpria assim uma nuclearidade do seu trajecto: prestigiar a ciência praticada em Portugal e formar uma nova geração de antropólogos e de arqueólogos (concretamente, pré-historiadores) no país.

Em 1913, defendeu a tese Os Criminosos Portugueses: Estudos de Antropologia Criminal, publicada nesse ano, em cuja sequência foi nomeado 2.º assistente efectivo do subgrupo de antropologia da FCUP. Em paralelo, exercia funções de juiz-adjunto e de médico da Tutoria Central da Infância do Porto, experiência que o terá influenciado nos estudos sobre delinquência infantil.

Um ano depois, em 1914, casou-se com Maria Antónia do Carmo de Loureiro e Brada, de conhecida família viseense e sobrinha de José Relvas , em cuja Casa dos Patudos (Alpiarça) Mendes Correia passou algumas temporadas. Residia, então, na Rua do Moreira, no Porto.

Focalizado nas origens do povo português, Mendes Correia procurou expandir os estudos acerca da sua composição biológica, usos, costumes e tradições, enquanto se esforçava por autonomizar a actividade arqueológica e antropológica entre nós, em especial a última. Com este objectivo, criou as disciplinas de Pré-história, Etnografia e Antropologia Criminal na FCUP; acompanhou de perto a produção científica internacional nestas áreas; publicou o Resumo das lições de Antropologia: ano lectivo de 1914-1915; cofundou e presidiu à Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnografia (SPAE), em 1918, e o seu boletim oficial, os Trabalhos de Antropologia e Etnologia (TAE), em 1919; elaborou um programa de antropologia criminal e de regeneração social. Ainda em 1918, entrou para a Academia das Ciências de Lisboa (ACL), antes de publicar, em 1919, Raça e Nacionalidade.

Poucos anos depois, em 1921, Mendes Correia doutorou-se em ciências histórico-naturais na FCUP, enquanto leccionava antropologia, geologia, geografia física e paleontologia. Foi então nomeado secretário do Conselho Escolar da Faculdade, dando à estampa Homo: os modernos estudos sobre a origem do Homem e continuando a cultivar diferentes interesses intelectuais. Por isso, entrou, em 1912 para a Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto; presidiu à direcção do Grupo de Estudos Brasileiros da cidade; vice-presidiu à Associação Portuguesa para o Progresso das Ciências. Participou, também, no seu primeiro Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências (Porto), dando assim início a uma longa série de presenças em encontros científicos, ao mesmo tempo que publicava, como testemunham, Os povos primitivos da Lusitânia em 1924 e A Nova Antropologia Criminal, no ano seguinte.

Em 1926, Mendes Correia foi nomeado professor catedrático do grupo de mineralogia e geologia, no seguimento da coeva reforma universitária. Neste mesmo ano, integrou o Congresso Internacional de Americanistas realizado em Roma, a primeira das suas muitas experiências além-fronteiras, prosseguida no Congresso de Antropologia, em Amesterdão, em 1927. No ano seguinte participou também no encontro Nacional de Medicina, realizado no Porto.

Entre 1929 e 1935 assumiu a presidência da direcção da FCUP. No ano seguinte, passou a professor catedrático do grupo de zoologia e antropologia, função que manteve até 1960, enquanto dirigiu o Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico (1934-1936) e criou as respectivas Publicações.

Satisfazendo o seu apreço pelas ciências humanas, Mendes Correia esteve também ligado à Faculdade de Letras da UP. Inicialmente como professor contratado e, depois, como professor ordinário do grupo de ciências geográficas, leccionou aqui geografia de Portugal, geografia colonial portuguesa, geografia política e económica, geografia geral, etnologia, arqueologia, etnografia e antropogeografia geral. Nesta sucessão, o Conselho Escolar (CE) conferiu-lhe o grau de doutor em Letras na área de ciências geográficas, em 1925. CE que incorporava desde 1919, o mesmo sucedendo desde 1920 com a Comissão de Redacção da Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A isto acrescia a colaboração na Revista de Estudos Históricos da UP e na Dionysos.

As diversificadas valências académicas de Mendes Correia ditaram-lhe a responsabilidade dos destinos do acervo do Museu de Arqueologia Histórica e Etnologia, por extinção da FLUP, em 1931, fazendo-o transferir para o Museu de Antropologia (MA) da FCUP, após inventário detalhado dos seus conteúdos. Igualmente com o mesmo destino, trasladou o acervo da Galeria de História de Arte.

Visando institucionalizar o ensino da antropologia no país, Mendes Correia participou em inúmeros congressos científicos, sobretudo nos anos 30 e 40, enquanto publicava em revistas nacionais e internacionais (caso das alemãs Forschungen und Fortschritte e Anthropologischer Anzeiger, e da italiana Scientia): Internacional de Antropologia (Coimbra e Porto, 1930; Paris, 1931); Nacional de Ciências Naturais (Lisboa, 1931); Internacional de Geografia (Paris, 1931); Nacional de Antropologia Colonial (Porto, 1934); Internacionais de Ciências Antropológicas e Etnológicas (Londres, 1934); Brasileiro de Identificação (Rio da Janeiro, 1934); Internacional de Zoologia (Lisboa, 1935); do Mundo Português: Pré-História e Proto-História (Porto, 1940); Nacional das Ciências da População (Porto, 1940); Luso-Brasileiro (Lisboa, 1940); Colonial (Lisboa, 1940); Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências (Porto, 1942); da Associação dos Anatómicos (Lisboa, 1945); do Descobrimento da Guiné (Lisboa, 1946); Internacional dos Africanistas Ocidentais (São Tomé, 1947).

Destes encontros, destaca-se, pelo seu impacte alcançado na comunidade científica nacional, o XV Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Histórica e a IV Sessão Internacional de Antropologia (Coimbra e Porto, 1930), com organização activa de Mendes Correia. Preparou e orientou a visita aos concheiros de Muge, pela relevância que os temas do Mesolítico e dos Kiokkenmoddings portugueses assumiram no decurso das sessões de trabalho, assim como pela teoria (não destituída de polémica) do próprio Mendes Correia quanto à existência de um Homo Afer Taganus.

O trabalho produzido na UP e o interesse pessoal pelo assunto, justificaram a indicação de Mendes Correia para responsável da secção portuguesa da Exposição Colonial de Paris de 1931, num ano em que a Universidade de Lyon lhe atribuiu o título de Doutor Honoris Causa e, a convite da Junta da Educação Nacional (JEN), proferiu conferências sobre migrações prehistóricas na Península Ibérica, em Toulouse, Grenoble, Paris, Lille, Bruxelas, Berlim (na Kaiser Wilhelm Gesellschaft) e Munique.

Assim se descerrou uma longa e profícua página na vida e obra de Mendes Correia, dedicada ao ensino e à investigação científica sobre as colónias, ao longo da qual elaborou programas específicos, com realce para missões antropológicas (para mapear e caracterizar etnias), a primeira das quais a Moçambique, já no quadro da Junta das Missões Geográficas e de Investigações Coloniais (JMGIC), fundada neste ano de 1936 na continuidade de um plano mais abrangente destinado a melhorar a administração colonial local, do qual fora relator.

Dispondo de crescente autoridade científica, docente e política, Mendes Correia foi chamado a ocupar vários lugares de responsabilidade neste período. Foi o caso da direcção (1933-1960) dos Anais da Faculdade de Ciências do Porto e da organização do I Congresso Nacional de Antropologia Colonial (Porto, 1934). Dois anos depois, cofundou a Academia Portuguesa da História (1936) e assumia a presidência da Câmara Municipal do Porto (CMP) (1936-1942). Nesta última qualidade, integrou a Câmara Corporativa e promoveu a preservação e a divulgação do património histórico e cultural da cidade, decidindo, entre outras aspectos, estreitar relações com a Galiza e instalar o Museu Nacional de Soares dos Reis no Palácio dos Carrancas (1940). Assumia, assim, uma das suas preocupações centrais – a cultural -, vincada de igual modo na forma como concorreu para a criação da Junta Nacional de Escavações e Antiguidades (JNEA), no âmbito da Direcção Geral do Ensino Superior e das Belas Artes (1933), nela defendendo, já como vogal, a salvaguarda do património arqueológico.

Entretanto, os anos 40 notabilizaram Mendes Correia, como cientista e político. Por isso se envolveu activamente na organização das Comemorações Centenárias e dos Congressos do Mundo Português; foi nomeado vogal da subsecção de arqueologia da JNEA; participou em comissões de estudo da reforma do ensino superior português; integrou o Comité Central do Grupo Português de História das Ciências, filiado na Académie International d’Histoire des Sciences, e respectivo periódico Petrus Nonius; e co-representou a UP na comissão de avaliação das condições da adesão do país ao Conseil International de Recherches (Paris) estabelecido no contexto da Sociedade das Nações.

Procurando adaptar-se à nova geopolítica mundial estabelecida no pós-guerra, Mendes Correia entrou para o Centro de Estudos de Etnologia Peninsular (de 1945 a 1956), primeiro como vogal da direcção e depois como presidente. Em 1946, foi eleito presidente da recém reestruturada JMGIC; nomeado membro do Conselho Ultramarino (até 1958) e director da Escola Superior Colonial, cargo acumulado com a docência (1949-1958) de geografia, direcção e orientação de dissertações finais do Curso de Altos Estudos Ultramarinos. Foi delegado português da Comissão Permanente de Cartografia dos territórios africanos e aclamado presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa (1875) (1951-1960), onde criou a Secção de Pré-História.

Foi ainda nos decénios de 30 e 40 que Mendes Correia publicou algumas das suas obras de referência, parte das quais decorrente do seu envolvimento na política de ocupação científica do Ultramar português: Origens da cidade do Porto(Vila Nova de Gaia, 1932); Da Biologia à História (Porto, 1934); Cariocas e Paulistas: impressões do Brasil (Porto, 1935); A Escola Antropológica Portuense (Porto, 1940); Da Raça e do Espírito (Porto, 1940); Raças do Império (Porto, 1943); Gérmen e Cultura (Porto, 1944); Em face de Deus: memórias e confissões (Porto, 1946); Uma jornada científica na Guiné Portuguesa (Lisboa, 1947).

Entretanto, Mendes Correia viu o seu trabalho ratificado por pares, ao ser-lhe concedido o título de ‘Excelência’ pela Pontificia Academia Scientiarum Novi Lyncaei e de Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Montpellier (1941) e de Witwatersrand (1949).

Divorciado e vivendo já em Lisboa, em razão das funções assumidas, Mendes Correia voltou a casar-se, dessa feita com Maria do Carmo Bahia.

O início dos anos 50 trouxe-lhe a confirmação e o reforço do prestígio nacional e internacional, patente na sua nomeação para júri de prémios galardoadores de investigações nas áreas de antropologia física e pré-história. Presidiu, ainda, à Junta de Investigações do Ultramar (1954-1958) e esteve à frente dos destinos de outros organismos, como as comissões Nacional de Estatística Demográfica-Sanitária (1955) e da divisão provincial do país, assim como da Classe de Ciências da ACL (de 1959 a 1960). Foi membro do conselho orientador do Centro de Estudos Demográficos do Instituto Nacional de Estatística, efectivo da JEN / IAC e um dos directores e compiladores da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Ocupou o lugar de deputado eleito à Assembleia Nacional, nas IV, V e VI legislaturas (de 1945 a 1957), onde defendeu o conhecimento científico das colónias, a defesa do património cultural nacional, e a dignificação e o reconhecimento da actividade científica. Continuou, em simultâneo, a contribuir para a divulgação de conhecimentos, dando à estampa Antropologia e História (Porto, 1954) e O interesse dos estudos de linguística e o seu carácter científico(Lisboa, 1957), e publicando nos periódicos Antropologia, etnologia e ciências humanas (Lisboa, 1959) e Arqueologia e História Sacra (Lisboa, 1960). 

Enquanto isto, logrou, através do CEEP, que arqueólogos nacionais fossem institucionalmente apoiados nas suas investigações, assegurando-lhes a publicação dos resultados correspondentes nos TAE, criando, também assim, uma outra rede científica com a qual colaborou activamente. 

Divulgar a ciência praticada em Portugal, designadamente através do seu trabalho, dos seus colegas e discípulos (independentemente do género), requeria, para Mendes Correia, uma acentuada dimensão internacional. Publicou, por isso, noutros idiomas e viajou amiúde, investigando, contactando, permutando e prelecionando. Por isso se deslocou ao Brasil (1934 e 1937), onde conheceu Gilberto Freyre e foi agraciado com a Ordem do Cruzeiro do Sul; à Guiné Portuguesa (entre 1945 e 1946), em colaboração com Amílcar Mateus e passagem por Marrocos e Senegal, para preparar a Missão Antropológica e Etnológica da Guiné (1956-1957); a Timor (1953), em missão com equipa de antropólogos.

Estratégia internacional que contemplou, desde, pelo menos, 1921, a presença em reuniões científicas em solo nacional (Porto, Coimbra, Lisboa) ultramarino (Bissau, S. Tomé, Luanda, Dili) e estrangeiro (Madrid – onde foi distinguido com a Ordem de Afonso, o Sábio -, Barcelona, S. Sebastian, Paris, Toulouse, Grenoble, Lyon, Lille, Nice, Amesterdão, Bruxelas, Berlim, Roma, Rio de Janeiro, S. Paulo e Washington, Nairobi, Dacar, Bucavu, Tananarive, Yangambi).Encontros caracterizados pela amplitude geográfica dos temas abordados, a exemplo dos congressos Luso-Espanhóis para o Progresso das Ciências, dos colóquios de Estudos Luso-Brasileiros, dos congressos Internacionais de Antropologia e Arqueologia Pré-histórica, de Geografia, e das conferências Internacionais dos Africanistas Ocidentais.

O reconhecimento das investigações realizadas em medicina (incluindo antropológica), antropologia (designadamente física e criminal) e arqueologia (sobretudo pré-histórica), o recurso a diferentes métodos de trabalho (mesmo o antropométrico) e equipamento (mormente fotográfico), e as múltiplas funções que foi assumindo, valeram a Mendes Correia a indicação para delegado a conselhos e comités científicos nacionais e internacionais, como o da África ao Sul do Saara; a participação na primeira Conferência Científica Regional Africana, a convite do governo da União Sul-Africana (Joanesburgo, 1949), nos Congressos Internacionais de Ciências Antropológicas e Etnológicas e no Internacional para Estandardização dos Métodos e Medidas Antropométricas. Ao mesmo tempo, era indicado para comissões nacionais comemorativas de centenários, como os da morte do Infante D. Henrique (1954) e do nascimento de Mouzinho de Albuquerque (1955).

Em abril de 1951, recebeu o seu primeiro tributo público. Homenageado na SPAE e na UP, a pretexto da entrega pública do seu busto em gesso, Mendes Correia contou com a presença de elementos daquela agremiação, do reitor e vice-reitor da UP, e dos directores das Faculdades de Ciências e de Medicina e do Centro Universitário do Porto da Mocidade Portuguesa. Seguiu-se-lhe um preito na SGL (1957), por ocasião da sua entrada para a Royal Anthropological Institute of Great Britain and Ireland (RAIGBI), como sócio honorário. Neste mesmo ano, foi agraciado pelo Governo português com o Grande Oficialato da Ordem Militar de Santiago da Espada, sendo o seu nome atribuído à Sala de Arqueologia e Antropologia do Museu de História Natural da UP.

As múltiplas actividades de Mendes Correia justificaram a sua associação a entidades cientificas portuguesas e estrangeiras, a maioria das quais relacionada com as suas áreas de investigação: Associação dos Arqueólogos Portugueses; Instituto de Coimbra; Sociedade de Geografia de Lisboa; Sociedade Martins Sarmento; Real Gabinete Português de Leitura (cujo primeiro centenário, em 1937, contou com a sua presença); Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; Academia Nacional de Medicina do Rio de Janeiro; Liga Brasileira de Higiene Mental; Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia; Sociedade de Criminologia e Medicina Legal de São Paulo; Sociedad Española de Antropología, Etnología y PrehistoriaReal Academia GalegaSociety of Antiquaires of London; RAIGBI; International African Institut(Londres); Institut Français d’AnthropologieSocitété des Africanistes; Association pour l’Étude des Sciences Anthropologiques (Paris); Institut International d’Anthropologie (Paris); Institut International des Civilizations Différentes (Bruxelas); Academias des Sciences et des Beaux-Arts (Toulouse) e a Accademia Pontificia delle Scienze – Nuovi Lincei.

Com uma vida consagrada à ciência, docência, cultura e política, Mendes Correia não desmereceu a divulgação científica junto de públicos mais vastos e diversificados, publicando artigos em jornais de circulação interna e proferindo palestras em organismos, como a Emissora Nacional e o Centro de Estudos e Formação Imperial.

Pugnando pela afirmação dos estudos em diversas áreas e concretização do projecto de ocupação científica do ultramar (como «plano racional de valorização das colónias»), Mendes Correia não distinguiu «ciência utilitária e ciência desinteressada e pura», indagando matérias tão díspares e por vezes polémicas, como a influência africana no património genético dos portugueses; os lusitanos como antepassados primordiais dos portugueses; a dignificação das classes sociais mais desfavorecidas; a generalização do voto feminino; a abolição paternalista do ‘estatuto de indígena’.

Mendes Correia faleceu a 7 de janeiro, sem descendência direta. Deixou, no entanto, um vasto legado intelectual materializado em inúmeras acções e continuado por vários dos seus seguidores.

Trasladado, a 9 de janeiro, da capital para o cemitério do Prado do Repouso, no Porto, com as bandeiras da Sociedade de Geografia de Lisboa e da cidade que o vira nascer, foi homenageado nas suas exéquias com a presença de inúmeras entidades e instituições públicas e privadas, nacionais e estrangeiras. Algumas delas, outorgaram-lhe, ainda em vida, as suas mais altas condecorações, em apreço pela sua plurifacetada obra: Grã-Cruz da Instrução Pública; Comendador da Coroa de Itália e Bélgica; Oficial da Legião de Honra e da Instrução Pública em França; Cavaleiro de Afonso XII de Espanha. Seguiram-se-lhe, até aos nossos dias, outros tributos, contidos em edições especiais, entradas em dicionários; exposições; seminários e conferências.

Ana Cristina Martins
IHC NOVA FCSH – Polo da Universidade de Évora | IN2PAST | UNIARQ-UL

Arquivos

Lisboa, Arquivo da Torre do Tombo – Direcção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (Actas de reuniões da 2.ª Subsecção da 6.ª Secção da Direcção-geral do Ensino Superior e das Belas Artes).

Lisboa, Arquivo do Instituto de Alta Cultura (à guarda do Instituto Camões) (processo individual de Mendes Correia).

Lisboa, Arquivo Histórico da Associação dos Arqueólogos Portugueses (Actas de reuniões da Direcção, da Assembleia Geral e da Secção de Pré-História).

Lisboa, Arquivo Histórico da Sociedade de Geografia de Lisboa (Actas da Secção de Pré-História).

Porto, Arquivo Histórico da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (livros de actas).

Lisboa, Arquivo Histórico do extinto Instituto de Investigação Científica Tropical (processo individual de Mendes Correia).

Lisboa, Arquivo Histórico do Ministério da Educação (actas de reuniões da 2.ª Subsecção da 6.ª Secção da Direcção-geral do Ensino Superior e das Belas Artes).

Lisboa, Arquivo Histórico do Museu de História Natural da Faculdade de Ciên2.ª Subsecção da 6.ª Secção da Direcção-geral do Ensino Superior e das Belas Artes cias da Universidade do Porto (Agendas pessoais de Mendes Correia).

Diários das Sessões da Assembleia Nacional. IV Legislatura (1945-1949), V Legislatura (1949-1953) e VI Legislatura (1953-1957). [Em linha]. Disponível em WWW: URL: http://debates.parlamento.pt

Diários das Sessões da Câmara Corporativa. I Legislatura (1935-1938) e II Legislatura (1938-1942). [Em linha]. Disponível em WWW: URL: http://debates.parlamento.pt

Fundo do Professor Santos Júnior, Centro de Memória de Torre de Moncorvo (correspondência de Mendes Correia). 

Obras

Correia, António Augusto Esteves Mendes. 1919. Raça e Nacionalidade. Porto: Renascença Portuguesa.

Correia, António Augusto Esteves Mendes. 1924. Os povos primitivos da Lusitânia. Porto: Livraria Figueirinhas,

Correia, António Augusto Esteves Mendes. 1932. As origens da cidade do Porto. Gaia: Edições Pátria.

Correia, António Augusto Esteves Mendes. 1934. Da Biologia à História. Porto: Imprensa Portuguesa.

Correia, António Augusto Esteves Mendes. 1940. Da Raça e do Espírito. Porto: Imprensa Portuguesa.

Correia, António Augusto Esteves Mendes. 1941a. A Escola Antropológica Portuense. Lisboa: s.n.

Correia, António Augusto Esteves Mendes. 1941b. Plano de Estudos Antropológicos Coloniais. S/l: s/ed.

Correia, António Augusto Esteves Mendes. 1943. Raças do Império. Porto: Portucalense Editora.

Correia, António Augusto Esteves Mendes. 1944. Gérmen e Cultura. Porto: Instituto de Antropologia da Universidade do Porto.

Correia, António Augusto Esteves Mendes. 1947. Uma jornada científica na Guiné Portuguesa. Lisboa: Agência Geral das Colónias.

Bibliografia sobre o biografado

AAVV. 1957. «Professor Mendes Correia. Homenagem dos seus amigos e admiradores». Separata do Boletim da SGL, n.ºs 4-6: 119-152.

AAVV. 2011. Mendes Correia (1888-1960): entre a ciência, a docência e a política, coord. Ana Cristina Martins. Lisboa: ACD Editores.

Matos, Patrícia Carla Valente Ferraz de. 2012. Mendes Correia e a Escola de Antropologia do Porto: Contribuição para o estudo das relações entre antropologia, nacionalismo e colonialismo (de finais do século XIX aos finais da década de 50 do século XX). Doutoramento em Ciências Sociais. Especialidade: Antropologia Social e Cultural. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Professor Mendes Corrêa. 1888-1988. 1.º Centenário do seu nascimento. Porto: FCUP.

Roque, Ricardo. 2003. «CORREIA, ANTÓNIO Augusto Esteves MENDES». In Dicionário de Educadores Portugueses: 900 biografias de homens e mulheres que se dedicaram ao ensino e à educação nos séculos XIX e XX, coords. António Nóvoa, e Filomena Bandeira, CD-ROM, Ficha n.º 237. Porto: Asa.


 [IMdSPA1]Indicar as duas na língua original

 [ACM2]Feito.

Corvo, João de Andrade

Torres Novas, 30 janeiro 1824 — Lisboa, 15 fevereiro 1890

Palavras-chave: Regeneração, Agricultura, Política colonial, Política externa.

João de Andrade Corvo foi uma personalidade interventiva no meio político português da segunda metade do século XIX. Ainda que seja mais conhecido devido ao impulsionamento de uma nova política colonial em África, contribuiu também para a modernização agrícola de Portugal e para o ordenamento do território. Quer através da divulgação científica, do leccionamento de disciplinas científicas em instituições de ensino superior, ou do estudo de problemas agrícolas concretos, defendeu o potencial da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento do país, aderindo à Regeneração e ao projecto político de Fontes Pereira de Melo.

Andrade Corvo nasceu em Torres Novas, a 30 de Janeiro de 1824, no seio de uma família de proprietários rurais partidários do absolutismo. O seu pai, um oficial de cavalaria, combateu ao serviço de D. Miguel durante as guerras liberais. Os excessos que o jovem Andrade Corvo presenciou durante esta época, e em anos subsequentes, impressionaram-no ao ponto de repudiar as posições políticas da sua família, aderindo ao liberalismo, e de se distanciar de quaisquer tendências belicosas, enfatizando, até ao final da vida, a importância da diplomacia para a manutenção da paz. 

Em 1834, após o fim da guerra civil, a família de Andrade Corvo mudou-se para Lisboa. A educação do jovem Andrade Corvo foi tomada a cargo do seu tio materno, o general Nuno Augusto de Brito Taborda. Este também combatera do lado dos absolutistas, mas a instauração de um regime liberal levou-o a afastar-se da esfera política e a dedicar-se à instrução do sobrinho. Os primeiros estudos de Andrade Corvo foram feitos com irregularidade, embora tenha tido aulas com alguns professores particulares e frequentado o Colégio Militar. Aos 15 anos, ingressou na então recentemente criada Escola Politécnica de Lisboa, uma instituição predominantemente dedicada ao ensino técnico-científico, com vista a uma carreira militar. Continuou os estudos na Escola do Exército, formando-se em engenharia militar. Até ao início da década de 1850, dedicou grande parte do seu tempo livre às artes literárias, escrevendo peças de teatro e um romance.

No final da década de 1840, Andrade Corvo possuía uma ideia clara das medidas necessárias para ultrapassar a difícil situação financeira e económica do país. A sua formação em engenharia conferiu-lhe a noção de que os profissionais em áreas técnico-científicas eram aqueles que possuíam as melhores competências para modernizar o país. À semelhança de outros liberais da época influenciados por doutrinas saint-simonistas, defendia que o desenvolvimento material do país, fortemente apoiado no saber técnico-científico, era a chave para o progresso da nação. De modo a disseminar estas ideias, passou pela direcção de periódicos como A Época e O Ateneu, entre 1848 e 1851, onde também defendia a necessidade de consolidar um regime liberal incipiente, através da reforma da administração pública e da liberalização da economia.

Com a instauração da nova cultura política da Regeneração, no início da década de 1850, e a presença de Fontes Pereira de Melo no governo, o projecto político apoiado por Andrade Corvo começou a ser concretizado. O facto de pertencer ao quadro docente da Escola Politécnica, desde que venceu o concurso para lente substituto da cadeira de botânica com apenas 20 anos, conferiu-lhe um estatuto que conduziu à sua nomeação para cargos onde pôde implementar algumas das medidas que defendera. Apesar de não ser um especialista em botânica ou agronomia, a necessidade de leccionar estas matérias e resolver problemas agrícolas concretos permitiram-lhe tornar-se um perito nestas áreas. Simultaneamente, a sua ligação profissional a José Maria Grande, lente proprietário de botânica e parlamentar já com um percurso político traçado, facilitou a sua aproximação aos círculos políticos da época.

As contribuições científicas mais importantes de Andrade Corvo resultaram da análise de questões agrícolas, o sector económico de maior relevo para o Portugal da época. Em 1853, estudou a praga de oídio que dizimava as vinhas da ilha da Madeira, por incumbência da Academia das Ciências de Lisboa, e em 1859 avaliou a influência dos arrozais na saúde pública, fazendo parte de uma comissão criada por Fontes Pereira de Melo, à data ministro do reino.

Andrade Corvo defendia que a melhoria da instrução da população era fundamental para a modernização agrícola do país. Ao ser nomeado para o quadro docente do Instituto Agrícola de Lisboa, provavelmente devido à proximidade a Grande, que o dirigia desde a sua fundação em 1852, pôs em prática o seu plano. Em 1855, aquando da sua presença na Exposição Universal de Paris, chegou mesmo a adquirir instrumentos agrícolas modernos que se adequavam à realidade nacional, para uso pedagógico no Instituto.

O reconhecimento das suas qualidades no ordenamento do território agrícola, bem como o seu envolvimento crescente na política nacional, conduziram à eleição de Andrade Corvo como deputado pelo Partido Regenerador, em 1865. No ano seguinte, a aceitação do cargo de direcção do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria colocou-o num lugar privilegiado para implementar reformas que vinha defendendo há anos, como a reconversão de territórios pantanosos para a agricultura e a extensão do caminho-de-ferro. Contudo, esta passagem foi breve, devido à queda do governo em 1868.

Andrade Corvo nunca deixou de se interessar pela modernização agrícola do país, publicando obras de divulgação de boas práticas em anos subsequentes, com destaque para a Biblioteca de Agricultura e Ciências, na década de 1880. Contudo, a partir do final da década de 1860, a sua atenção concentrou-se na política externa do país. Andrade Corvo temia que os movimentos políticos de unificação, bem-sucedidos em Itália e na Prússia, atingissem Portugal, promovendo a união com Espanha, o que comprometeria, no seu entender, a independência da nação. Entre 1869 e 1870, foi enviado na qualidade de ministro plenipotenciário a Madrid, onde geriu a delicada situação diplomática na sequência da deposição da rainha Isabella II, impedindo a união ibérica.

Os receios de Andrade Corvo, porém, não se limitavam às consequências de uma eventual união ibérica. Na sua opinião, o reduzido peso político de Portugal face a outros estados europeus mais prósperos e extensos punha em causa a sua sobrevivência enquanto nação independente. Assim, defendeu como solução uma nova política externa para o país, baseada na formação de alianças políticas e na assinatura de tratados de comércio aptos a sustentar uma rede internacional de boas relações. A economia e a diplomacia deveriam concorrer para evitar a todo o custo um eventual conflito armado. Em 1871, com o apoio político de um novo governo do Partido Regenerador, Andrade Corvo subiu ao cargo de ministro dos negócios estrangeiros e procurou implementar este plano.

Ao longo do seu mandato, desentendimentos diplomáticos com a Grã-Bretanha, relativamente aos privilégios comerciais detidos por Portugal em algumas das suas colónias africanas, levaram a que Andrade Corvo dedicasse particular atenção à política colonial. Ainda que as suas hábeis negociações com diplomatas britânicos tenham sido inicialmente bem-sucedidas, era claro que Portugal não poderia continuar a reclamar indefinidamente a posse de territórios escassamente colonizados. Pressionado por um número crescente de vozes que exigiam a adopção de políticas expansionistas em solo ultramarino, criou a Comissão Central Permanente de Geografia junto do Ministério da Marinha e Ultramar, durante um dos breves períodos em que acumulou a sua direcção, entre 1875 e 1876. Através deste organismo, aplicou a política fontista de construção de vias de comunicação, já iniciada em Portugal, ao espaço colonial, com vista a promover o seu desenvolvimento económico. Além do destacamento de equipas de engenheiros para a concretização das obras projectadas, em 1877, enviou ainda uma expedição científica, cujos dados recolhidos facilitariam a fixação de fronteiras e o levantamento de recursos naturais de interesse económico. Simultaneamente, prosseguiu com a negociação de tratados liberalizadores do comércio colonial, sobretudo com a Grã-Bretanha, tentando obter em contrapartida investimentos em projectos de engenharia nas colónias, como a construção de caminhos-de-ferro. As iniciativas ficaram muito aquém dos seus objectivos.

Após a queda do governo regenerador em 1877, Andrade Corvo voltou novamente a dirigir os negócios estrangeiros em Janeiro de 1878, com o regresso de Fontes Pereira de Melo ao poder. Continuou as negociações com a Grã-Bretanha, mas foi definitivamente afastado no ano seguinte, pela queda do governo, deixando muitos projectos por concretizar. Na década de 1880, continuou a defender as pretensões coloniais portuguesas, publicando estudos que pudessem auxiliar a organização de uma política colonial realista e consistente. Tornou-se um dos principais conselheiros do seu colega da Escola Politécnica de Lisboa, José Vicente Barbosa du Bocage, enquanto este ocupou a pasta dos negócios estrangeiros de um novo governo regenerador, entre 1883 e 1886, para a resolução da questão do Congo. Durante este período, serviu como ministro plenipotenciário em Paris, contribuindo para as negociações que tiveram lugar por ocasião da Conferência de Berlim. Os diplomatas portugueses tentaram obter um acordo com o governo francês, de modo a assegurarem a soberania nos territórios do troço final do rio Congo, mas as pressões exercidas por nações mais poderosas, com destaque para a Grã-Bretanha, invalidaram os esforços portugueses.

Ponderado e crente no poder da ciência e da tecnologia para a modernização de Portugal, Andrade Corvo foi, essencialmente, um patriota avesso a extremismos políticos e um defensor convicto do liberalismo. Faleceu em Fevereiro de 1890, em Lisboa, sem assistir à resolução do conflito diplomático desencadeado pelo ultimato britânico a Portugal.

Daniel Gamito-Marques

Arquivo

Biblioteca Nacional: Arquivo Andrade Corvo.

Obras

Corvo, João de Andrade. Memórias sobre as ilhas da Madeira e Porto-Santo. Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa, 1854.

—. Relatório sobre a Exposição Universal de Paris. Agricultura. Lisboa: Imprensa Nacional, 1857.

—. A instrução pública: discurso pronunciado nas sessões de 9, 10 e 11 de Abril de 1866. Lisboa, Tipografia Franco-Portuguesa, 1866.

Corvo, João de Andrade Corvo e António Augusto de Aguiar, O livro do lavrador. Lisboa: Tipografia Universal, 1873.

—. Algumas palavras acerca do estado geral das nossas terras em 1875.Lisboa: Minerva, 1875.

—. Estudos sobre as províncias ultramarinas. 4 vols. Lisboa: Tipografia da Academia Real das Ciências, 1883-7.

Bibliografia sobre o biografado

Correia, Francisco.“Um ministro da Regeneração através dum arquivo da família existente na Biblioteca Nacional: estudo económico-social sobre João de Andrade Corvo” in: Revista da Biblioteca Nacional, vol. 2, nº 2, (Julho-Dezembro 1982).

Palmeirim, Luís Augusto. “João d’Andrade Corvo” in: Revista Contemporânea, vol. II, nº 6, (Setembro 1860).

Avillez, Maria Leonor Maia Correia Henriques de. João de Andrade Corvo e a aliança inglesa. Tese de Mestrado em História Contemporânea, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1998.