Gomes, Ruy Luís

Porto, 5 dezembro 1905 – 27 outubro 1984

Palavras-chave: “movimento matemático”, resistente antifascista, exílio, reitor da Universidade do Porto.

Ruy Luís Gomes foi um matemático, professor catedrático da Universidade do Porto, um dos grandes dinamizadores do “movimento matemático” dos anos 1930 e 1940. Resistente antifascista, foi demitido pelo regime em 1947. Candidatou-se à presidência da república em 1951. Partiu para o exílio (na Argentina e no Brasil) em 1958. Regressado a Portugal, após o 25 de abril de 1974, foi reitor da Universidade do Porto.

Ruy Luís Gomes era filho de António Luiz Gomes e Maria José Medeiros (por esclarecer se este nome se completa com “de Oliveira” ou “Alves”). O pai, formado em Direito e professor universitário, foi um político que pertenceu ao diretório do Partido Republicano, foi embaixador de Portugal no Brasil, Ministro do Fomento de um dos governos provisórios, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto e reitor da Universidade de Coimbra.

O irmão, que tinha o mesmo nome do pai, António Luiz Gomes, nasceu em 1998 e faleceu em 1981. Durante o governo de Salazar, foi secretário-geral do Ministério das Finanças e diretor-geral da Fazenda Pública. Ruy Luís Gomes teve ainda três irmãs: Hermengarda, Alda e Irene. Casou com Maria Margarida Gonçalves Costa em 19 de julho de 1940. Não tiveram filhos.

Ruy Luís Gomes completou o liceu em Coimbra em 1922, no liceu José Falcão, depois de ter frequentado o liceu Rodrigues de Freitas, no Porto. Licenciou-se em Ciências Matemáticas na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra (FCUC) em 6 de dezembro de 1926 com a classificação de 20 valores. Doutorou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra em 28 de dezembro de 1928, com a tese “Desvio das trajetórias de um sistema holónomo”. Sofreu influências de Vicente Gonçalves e de Mira Fernandes.

Foi assistente das cadeiras de Álgebra Superior e Geometria Projetiva na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), de 1929 a 1933.

Em 1933, após concurso de provas públicas e com a dissertação “Sobre a estabilidade dos movimentos de um sistema holónomo”, subiu a professor catedrático da FCUP, cadeira de Física-Matemática, lugar que ocupou de 1933 a 1947, ano em que foi afastado do ensino oficial por motivos políticos. Para a referida dissertação, Ruy Luís Gomes inspirou-se no “notável artigo do Prof. Levi-Civita”, “Sur l’écart géodésique”, que o motivou a “tratar o problema da estabilidade dos movimentos holónomos pelos métodos do cálculo diferencial absoluto”.

Com o apoio de Levi-Civita, Ruy Luís Gomes publicou doze trabalhos na revista Rendiconti della Reale Accademia Nazionale dei Lincei, no período 1930-1937. Nesta época, os dois cientistas trocaram correspondência e tornaram-se amigos. A amizade entre ambos fortaleceu-se com a ascensão do fascismo e a perseguição ao sábio italiano, e só terminou com a sua morte em 29 de dezembro de 1941. Dois dos trabalhos publicados nos “Rendiconti” faziam referência a conceitos introduzidos por Louis de Broglie o que levou o físico francês a mencioná-los nas suas aulas.

O relacionamento de Ruy Luís Gomes com Levi-Civita foi acompanhado, naturalmente, pelo seu progressivo interesse pela Teoria da Relatividade. De 19 a 28 de abril de 1937, realizou, nas instalações do Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, e a convite do Núcleo de Matemática, Física e Química, um curso sobre Teoria da Relatividade Restrita, que foi publicado pelo “Núcleo” no ano seguinte. 

O Núcleo de Matemática, Física e Química tinha sido fundado, em 1936, por iniciativa de Arnaldo Peres de Carvalho, Herculano Amorim Ferreira, Manuel Valadares, António da Silveira e Bento de Jesus Caraça. Todos eles, exceto Bento Caraça, tinham feito a sua formação no estrangeiro. A fundação do “Núcleo” assinalou uma rutura com o passado científico português de isolamento interno e internacional e foi a primeira tentativa de criar uma Escola de Ciência em moldes modernos no nosso país, embora nunca tivesse chegado a dedicar-se verdadeiramente à promoção da investigação científica. 

Os cursos realizados no IST marcaram o primeiro encontro entre três homens que viriam a ser os pilares do desenvolvimento do “movimento matemático” dos anos 1930 e 1940 – António Aniceto Monteiro, Bento de Jesus Caraça e Ruy Luís Gomes. O matemático António Aniceto Monteiro tinha-se doutorado em Paris em 1936. Regressado a Portugal, imediatamente integrou as atividades do “Núcleo” de que passou a ser um dos elementos mais ativos, conjuntamente com António da Silveira e Manuel Valadares. 

O “Núcleo” limitou-se essencialmente a ministrar cursos de elevado nível, o primeiro dos quais foi iniciado em 16 de novembro de 1936 por Bento de Jesus Caraça, sobre “Cálculo Vetorial”. A ideia era a de publicar os cursos, o que só acabou por ser feito com os de Bento de Jesus Caraça, Ruy Luís Gomes e Amorim Ferreira, em edições de muito boa qualidade. Embora tivesse sofrido perseguições diversas, o “Núcleo” acabou por se dissolver por divergências internas em 1939.

O contacto de Ruy Luís Gomes com Monteiro, um entusiasta incansável do desenvolvimento da matemática em Portugal nomeadamente no que à investigação diz respeito, deu-lhe o estímulo necessário para a criação de uma Escola de Matemática no Porto. Na verdade, António Aniceto Monteiro foi o primeiro investigador português em matemática nos moldes em que atualmente se considera a investigação científica e foi determinante a sua influência sobre Ruy Luís Gomes, que, na altura, já era um investigador credenciado internacionalmente.

Tudo isto é referido pelo próprio Ruy Luís Gomes ao enumerar iniciativas em que António Monteiro teve um papel determinante – além do “Núcleo”, há ainda a fundação da revista Portugaliae Mathematica (1937), o Seminário de Análise Geral e a Gazeta de Matemática (1939), o Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa e a Sociedade Portuguesa de Matemática (1940). Foi neste contexto que Ruy Luís Gomes foi um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Matemática e foi membro do corpo diretivo da Portugaliae Mathematica. “Estas realizações e os contactos diretos” que já tinha tido com António Monteiro “traduziram-se em novos estímulos” para a sua própria atividade, “sempre dominada pelo desejo de criar no Porto uma Escola de Matemática”.

Antes de 1940, havia no Porto, na Secção de Matemática, dois centros de interesse polarizados um na Álgebra Moderna (em torno de António Almeida Costa) e outro na Análise Real (em torno de Ruy Luís Gomes). A este propósito, disse Ruy Luís Gomes:

“Era, porém, necessário avançar para a integração daqueles dois centros de interesse num projeto de Escola de Matemática e, para um tal objetivo foi decisiva a colaboração e a extraordinária capacidade de formar discípulos do matemático António Aniceto Monteiro”.

Inspirado pelo exemplo que vinha do grupo de Monteiro, em 11 de outubro de 1941, Ruy Luís Gomes formulou a Celestino da Costa, presidente do Instituto para a Alta Cultura (IAC), o pedido para a criação do Centro de Estudos Matemáticos do Porto (CEMP). Em 18 de fevereiro de 1942 o IAC solicitou ao diretor (Ruy Luís Gomes) do CEMP um plano de trabalhos, podendo, assim considerar-se esta a data da sua fundação. Ruy Luís Gomes, além de ter sido fundador do CEMP, foi seu diretor até 1947, altura em que foi demitido pelo fascismo.

Em 1942, Ruy Luís Gomes participou no Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências que se realizou no Porto, onde apresentou uma comunicação.

Em 4 de outubro de 1943, Aureliano de Mira Fernandes, António Monteiro e Ruy Luís Gomes fundaram a Junta de Investigação Matemática (JIM), tendo os fundos para a JIM sido angariados numa campanha promovida por António Luíz Gomes, irmão de Ruy Luís Gomes. Em dezembro de 1943, António Aniceto Monteiro foi para o Porto, com a família, onde ficou cerca um ano. Foi no Porto que António Monteiro teve a sua única retribuição em Portugal, através da JIM, como investigador em matemática antes de 25 de abril de 1974. Nunca chegou a ser professor de uma universidade portuguesa.

Uma das iniciativas da JIM foi a organização nos anos de 1944 e 1945 de palestras científicas lidas ao microfone da Rádio Club Lusitânia, cedido pelo proprietário, tendo sido oradores: Ruy Luís Gomes, António Monteiro, Corino de Andrade, Branquinho de Oliveira, Fernando Pinto Loureiro, José Antunes Serra, António Júdice, Armando de Castro, Carlos Teixeira, Flávio Martins. Nada disto agradou ao regime. Uma das consequências foi o encerramento, a seguir à sua palestra, de todos os clubes de matemática que Monteiro tinha fundado em Lisboa. Em 1945, António Aniceto Monteiro viu-se obrigado a exilar-se no Brasil.

Em 1944, Ruy Luís Gomes participou no Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências que se realizou em Córdova, onde apresentou a comunicação “Sobre uma construção algébrica da noção de integral”, publicado pelo CEMP.

Em julho de 1946, realizou-se o doutoramento de Alfredo Pereira Gomes – o primeiro do CEMP – na Universidade do Porto, depois de ter sido orientado por António Aniceto Monteiro, estando este já ausente. Em outubro desse ano, Alfredo Pereira Gomes foi afastado da Universidade, por decisão do Governo, alegadamente por “estar incurso no disposto do decreto-lei nº 25317”. 

Em 1946, Ruy Luís Gomes foi cofundador da Tipografia Matemática, Lisboa, e da Casa Museu Abel Salazar, de Artes Plásticas, Porto. Foi ainda cofundador do Observatório Astronómico da Universidade do Porto, em 1948. Como diretor do Gabinete de Astronomia tinha-lhe cabido a escolha da sua localização, a Alameda do Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia.

De 1947 a 1948, foi delegado da Sociedade Portuguesa de Matemática à Associação Portuguesa para o Progresso das Ciências.

Sobretudo após meados dos anos 1940, Ruy Luís Gomes desenvolveu também uma empenhada actividade política e sofreu a consequente repressão.

Apoiou o Movimento de Unidade Democrática (MUD) desde o seu início, tendo assistido à sessão histórica da sua fundação no Centro Republicano Almirante Reis, em outubro de 1945.

Foi presidente da Comissão Distrital do Porto do MUD. Foi preso pela PIDE em 9 de novembro de 1945, juntamente com outros elementos desta Comissão Distrital, por se terem recusado a entregar às autoridades do “Estado Novo” as listas de subscritores das reivindicações do MUD. Mandado para a Cadeia do Aljube, foi libertado em 15 de novembro de 1945. Anos mais tarde, foi, por esse motivo, julgado e absolvido.

Em 12 de setembro de 1946 foi preso pela Sub-Directoria do Porto da PIDE, durante 30 dias, por motivo das suas actividades no Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF) e, apesar de ter sido entregue, em 19 de outubro de 1946, aos Tribunais Criminais do Porto, não chegou a ser pronunciado.

Foi preso em 1 de janeiro de 1947, na sequência dos acontecimentos ligados ao funeral de Abel Salazar. Foi levado a tribunal de polícia, no dia seguinte, mas o julgamento não chegou a realizar-se e foi posto em liberdade.

Em 1947, foi demitido do seu lugar de professor catedrático da Universidade do Porto. Foi afastado do serviço por telegrama do Ministro da Educação Pires de Lima, por ter reclamado contra a prisão de uma aluna, Nazaré Patacão, em 13 de maio de 1947. Foi-lhe instaurado processo disciplinar, tendo o juiz instrutor proposto a aplicação de uma pena de seis meses de suspensão de exercício e vencimento. O chamado Conselho Permanente de Acção Educativa, presidido por Mário de Figueiredo, da Junta de Educação Nacional, agravou essa pena transformando-a em demissão. Recorreu, então, para o Supremo Tribunal Administrativo, mas foi-lhe negado provimento.

Foi vice-presidente da Comissão Distrital do Porto da candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República em 1949 e sempre defendeu a necessidade de, após a candidatura, se prosseguir com um movimento unitário de democratas para reivindicação das liberdades fundamentais.

Foi presidente da Comissão Central do Movimento Nacional Democrático (MND) até à sua extinção em fins de 1956.

Foi preso, juntamente com os restantes membros da Comissão Central do MND, em 17 de dezembro de 1949, por protestar contra a prisão de um outro membro desta comissão, José Morgado, ocorrida em novembro do mesmo ano. Foi enviado para o Aljube em 18 de dezembro, sendo libertado em 24 de dezembro, sob caução de 100 contos (uma fortuna, para a época) ficando a aguardar julgamento. Levados ao Tribunal Plenário de Lisboa em abril de 1950, o julgamento foi interrompido em consequência da promulgação de uma lei de amnistia.

Foi preso, juntamente com Virgínia Moura, em 19 de junho de 1950, acusado de dar cobertura legal a uma tipografia que a PIDE considerava clandestina. Foi libertado em 31 de agosto. No julgamento, o juiz entendeu que não havia matéria para incriminação e foi posto em liberdade em 14 de janeiro de 1951.

Na sequência de acontecimentos ocasionados pelo falecimento de Carmona, em 1951, o MND apresentou-o como candidato à Presidência da República. Embora tivesse sido esta a única candidatura apresentada nos termos da legislação em vigor, alterações de última hora introduzidas na legislação, conferiram ao Conselho de Estado poderes retroativos para rejeitar candidaturas à Presidência da República e, assim, a sua candidatura acabou por não ser aceite.

Na noite de 3 para 4 de julho de 1951, no final de uma sessão da campanha eleitoral para a presidência da república,  realizada no Cine Victória em Rio Tinto, foi violentamente agredido por uma força policial comandada pelo capitão Nazaré, sob as ordens do major Santos Júnior (comandante da Polícia de Segurança Pública no Porto). Juntamente com Virgínia Moura, Lobão Vital e José Morgado, teve de ser socorrido nos serviços de urgência do Hospital Geral de Santo António.

Foi preso pela PIDE em 5 de fevereiro de 1952 por ter, juntamente com Virgínia Moura, Albertino de Macedo, Lobão Vital e José Morgado, elaborado um documento “PACTO da PAZ E NÃO PACTO do ATLÂNTICO”, motivado pelo anúncio da primeira reunião do Pacto do Atlântico em Portugal. Foi julgado no Tribunal Plenário de Lisboa em 14 de junho de 1952, foi condenado em três meses de prisão e multa.

Foi preso pela PIDE em 19 de agosto de 1954 por ter, juntamente com os restantes elementos da Comissão Central do MND, elaborado um documento condenando a política colonial do “Estado Novo” e defendendo a autodeterminação dos povos, por ocasião de incidentes ocorridos em Goa, Damão e Diu. Foi então acusado de traição à Pátria e julgado em junho de 1955 no Tribunal Plenário do Porto. Foi condenado em 18 meses de prisão. Recorreram da sentença, aguardando em liberdade o resultado do recurso. Anulado o julgamento, recolheu de novo à cadeia em meados de 1956. Novamente julgado em meados de 1957 foi condenado em dois anos de prisão. Mais de metade deste tempo foi passado na Colónia Penal de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos, prisão especialmente destinada a presos comuns de difícil correcção; muitos destes presos eram dementes.

Em junho-julho de 1956, sendo testemunha de defesa de Salomão Figueiredo e David de Carvalho, por ter referido expressamente um discurso de Salazar em que ele se afirmava “antidemocrata, antiliberal, autoritário e intervencionista”, foi mandado, pelo presidente do Tribunal Plenário de Lisboa, Cardoso de Menezes, três dias para a Cadeia do Limoeiro. A acusação estava então a cargo de Furtado dos Santos.

Ruy Luís Gomes continuou a sua atividade científica mesmo depois de expulso da universidade em 1947. Depois desta data escreveu para a Gazeta de Matemática cerca de 15 artigos que se somam a outros dois de 1945 e 1946. Publicou um artigo na Gazeta de Física em 1956. Dedicou-se à teoria da medida e da integração e publicou dois livros editados pela JIM: “Integral de Riemann” (1949) e “Integral de Lebesgue-Stieltjes” (1952).

Em 1953, foi-lhe atribuído o Prémio Artur Malheiros, pela Academia das Ciências de Lisboa, pelo seu trabalho “Sobre as relações de integral de Riemann e integral de Lebesgue”.

Em 1954, participou no Congresso Internacional de Matemática de Amsterdão onde apresentou a comunicação “Espace de Lebesgue – un exemple d’espace régulier”, publicado nos seus “Proceedings”.

Em outubro de 1955, Ruy Luís Gomes publicou o artigo “Albert Einstein – E=mc²: o mais urgente problema do nosso tempo”, onde reafirma a sua admiração pelo físico e a sua luta pela liberdade e pela paz.

Participou no Congresso Internacional de Filosofia que se realizou em Braga, em 1955, onde apresentou, em colaboração com Luís Neves Real, a comunicação “O intuicionismo de Poincaré a Sampaio Bruno”. 

Em 1958, aceitou um convite para ir trabalhar para Bahía Blanca, Argentina, contratado em regime de dedicação exclusiva pela Universidad Nacional del Sur (UNS). Entre 1958 e 1961, regeu os cursos de Funções Reais, Espaços de Hilbert e Análise Funcional, no Instituto de Matemática.

Em 1959, participou no II Colóquio Brasileiro de Matemática que se realizou em Poços de Caldas, Brasil, onde apresentou a comunicação “Estrutura algébrica das distribuições”.

Em 1962 aceitou o convite da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife, e lá trabalhou até à revolução de 25 de abril de 1974, contratado em regime de dedicação exclusiva para ensinar no Curso de Matemática, preparar pessoal docente e fazer investigação científica no Instituto de Matemática. A partir de 1962, orientou seminários de Análise para bolseiros e pessoal docente de matemática. Em 1963 começou a reger o curso de Análise Superior e em 1966 o Curso de Tópicos de Análise para o Bacharelato em Matemática. Fez cursos de Funções Especiais para bolseiros de Física. Foi professor de Mestrado em Matemática a partir de 1967. 

Ruy Luís Gomes foi codiretor da coleção Textos de Matemática, cofundador e codirector das coleções Notas e Comunicações de Matemática e Notas de Curso do Instituto de Matemática da Universidade Federal de Pernambuco. Foi ainda chefe da divisão de matemática do Instituto de Física e Matemática da mesma universidade.

Participou nos IV e V Colóquios Brasileiros de Matemática que se realizaram em Poços de Caldas (Brasil) em 1963 e 1965, onde apresentou as comunicação “Sobre as medidas vetoriais positivas – uma desigualdade” e “Uma de representação para funções contínuas de n variáveis. Aplicação à demonstração do teorema de representação de Weierstrass”, respetivamente.

Em 1965, orientou as lições de Análise, do Curso de Treinamento em Matemática, promovido pela SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, Brasil).

Em março de 1967, foi professor visitante em Rosário, Argentina, onde realizou uma série de conferências sobre Teoria da Medida.

Participou no Congresso Internacional de Matemática de Edimburgo, em 1968, onde apresentou uma comunicação.

Em dezembro de 1972, tentou vir a Portugal visitar sua família e o arquiteto Lobão Vital que se encontrava gravemente doente. Já no aeroporto de Lisboa, foi-lhe negada autorização para permanecer em território nacional.

No exílio, participou em vários movimentos a favor da amnistia aos presos políticos e contra as guerras coloniais.

Após a revolução de 25 de abril de 1974, Ruy Luís Gomes foi reintegrado como professor catedrático da FCUP. Foi reitor da Universidade do Porto desde maio de 1974 até 5 de dezembro de 1975, data em que se aposentou por limite de idade, sendo então nomeado “Reitor Vitalício” da mesma Universidade.

Em 1975, foi um dos fundadores do Instituto Abel Salazar de Ciências Biomédicas, tendo sido presidente da sua Comissão Instaladora.

Em 1976-1977 e em 1977-1978 orientou seminários sobre Funções de Variável Complexa e Superfícies de Ríemann.

Em 1981, por ocasião do trigésimo aniversário da Fundação do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisas), Brasil, foi-lhe concedida a medalha de “Serviços Científicos Prestados no Nordeste”, Brasil.

Jorge Rezende
Universidade de Lisboa

Obras

Gomes, Ruy Luís. “Desvio das trajetórias de um sistema holónomo”, tese de doutoramento, Coimbra, 1928.

Gomes, Ruy Luís. “Sobre a estabilidade dos movimentos de um sistema holónomo”, dissertação para concurso a professor catedrático, Porto, 1933.

Gomes, Ruy Luís. “Quelques considérations sur l’équation fondamentale de la nouvelle conception de la – lumière de Louis de Broglie”, Rendicontl della Academia Nazionale dei Lincei 21 (1935), 358-364.

Gomes, Ruy Luís. “Sur la propriété de l’opérateur H de Louis de Broglie”, Rendicontl della Academia Nazionale dei Lincei (1935), 499-501.

Gomes, Ruy Luís. “A relatividade: origem, evolução e tendências atuais”, Seara Nova, Lisboa, 1938.

Gomes, Ruy Luís. “Teoria da relatividade restrita”, Núcleo de Matemática, Física e Química, Lisboa, 1938.

Gomes, Ruy Luís. “Integral de Riemann”, Junta de Investigação Matemática, 1949.

Gomes, Ruy Luís. “Integral de Lebesgue-Stieltjes”, Junta de Investigação Matemática, Porto, 1952.

Gomes, Ruy Luís. “Sobre as relações de integral de Riemann e integral de Lebesgue”, Prémio Artur Malheiros, Academia das Ciências de Lisboa, 1953.

Gomes, Ruy Luís. “Espace de Lebesgue – un exemple d’espace régulier”, Proceedings of the International Congress of Mathematicians, Amsterdam, 1954. 

Bibliografia sobre o biografado

Morgado, José. “Ruy Luís Gomes, Professor e Companheiro”, Boletim da SPM 8, 1985, 5-31.

Providência, Natália Bebiano da (coordenação), “Ruy Luís Gomes: Uma Fotobiografia”, Gradiva, Lisboa, 2005.

Ruy Luís Gomes: “Tentativas feitas na anos 40 para criar no Porto uma Escola de Matemática”, Boletim da SPM 6, 1983, 29-48.

Rezende, Jorge. Blogue “RUY LUÍS GOMES”: http://ruyluisgomes.blogspot.pt/