Lima, Américo Pires de

Areias, 23 fevereiro 1886 — Porto, 22 fevereiro 1963

Palavras-chave: história da botânica, jardim botânico do Porto Gonçalo Sampaio, plantas medicinais.

Américo Pires de Lima sucedeu a Gonçalo Sampaio na direção da secção de Botânica da Faculdade de Ciências do Porto, tendo-se dedicado sobretudo à promoção da obra de Gonçalo Sampaio, à criação de um jardim botânico e à instalação da secção de Botânica na Quinta do Campo Alegre, à redação de livros escolares e ao ensino e divulgação da botânica e das ciências naturais.

Terminou em 1911 o curso de Medicina na Escola Médico Cirúrgica do Porto com a defesa de uma tese sobre o valor higiénico do leite. Concorreu depois a médico do Exército, carreira em que atingiu a graduação de tenente-coronel. Foi assistente de Clínica Médica da Faculdade de Medicina do Porto e, em 1913, 2.º assistente de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências do Porto.

Em julho de 1916 foi mobilizado para Moçambique, onde permaneceu até novembro do ano seguinte, assumindo o cargo de chefe da Secção de Higiene e Bacteriologia.

Em 1919 foi nomeado 1.º assistente da Faculdade de Ciências e, em 1921, professor ordinário de botânica desta Faculdade. No mesmo ano entrou para a Escola Superior de Farmácia, ocupando o lugar de professor ordinário em 1925 e o de diretor entre 1929 e 1932. Com a aposentação de Gonçalo Sampaio em abril de 1935, Pires de Lima assumiu a direção da secção de Botânica e do Instituto de Botânica Dr. Gonçalo Sampaio, acumulando com as funções de diretor da Faculdade de Ciências (1935-1945). Já aposentado, foi nomeado diretor clínico do Hospital de Santo António do Porto.

Foi sócio de várias associações científicas e médicas portuguesas e brasileiras, diretor do Centro de Estudos de Ciências Naturais do Instituto para a Alta Cultura e membro de diversas comissões oficiais (Conselho Nacional dos Museus, comissão permanente de Ciências do Instituto de Alta Cultura, Centro de Estudos Demográficos e da Junta das Missões Geográficas e Investigações Coloniais). Foi condecorado com a comenda da Ordem Militar de Avis.

Da sua atuação a nível universitário e académico salienta-se a promoção da obra de Gonçalo Sampaio (1865-1937) e a adaptação dos jardins e parque da Quinta do Campo Alegre a Jardim Botânico da Faculdade de Ciências e a transferência do Instituto de Botânica Dr. Gonçalo Sampaio do edifício da Faculdade na Praça Gomes Teixeira (“dos Leões”) para o edifício principal da Quinta.

Em termos de promoção da vida e obra de Gonçalo Sampaio, A. Pires de Lima promoveu a colocação de uma lápide na casa do Porto onde G. Sampaio tinha vivido os últimos anos e morrido, a colocação de um monumento no jardim botânico, com um busto da autoria de Abel Salazar e a edição das obras-chave de G. Sampaio que não tinham sido publicadas em vida do autor — a Flora Portuguesa (1946), a Iconografia Selecta da Flora Portuguesa (1949) e o Cancioneiro Minhoto (2.a edição, 1944).

Comprada a Quinta do Campo Alegre pelo Estado à família Andresen em abril de 1949, A. Pires de Lima não tardou em reclamar junto das instâncias oficiais as verbas que entendia necessárias para transformar a Quinta do Campo Alegre num jardim botânico que se aproximasse dos seus congéneres europeus e, logo depois, para que se transferisse o Instituto de Botânica Dr. Gonçalo Sampaio, tanto a componente de ensino como a de investigação, do edifício da Praça dos Leões, para o edifício principal da Quinta do Campo Alegre. Marcos importantes neste processo foram a publicação do Decreto-Lei 38158 de 1951, que aumentava o quadro do Instituto de Botânica, equiparando-o aos institutos congéneres das Universidades de Coimbra e Lisboa e a possibilidade de contratação de técnicos nacionais ou estrangeiros, que se efetivaria em 1952 com a entrada de Karl Koepp como inspetor do jardim. Todavia, a criação do jardim botânico do Porto e a transferência do Instituto de Botânica para a Quinta do Campo Alegre acabariam por se prolongar por vários anos e, quando A. Pires de Lima se aposenta em 1956, estava longe de terminado e já se avizinhava a construção da Ponta da Arrábida que resultaria numa amputação drástica da quinta para se construírem os seus acessos rodoviários. É neste longo, tortuoso e complexo processo que a forte personalidade, persistência e determinação, e os múltiplos contactos e influências de A. Pires de Lima se revelam, tanto mais que há muito que, em inúmeras intervenções orais e escritas, algumas das quais assumindo grande veemência, fazia sentir a necessidade da criação de um jardim botânico no Porto. Num artigo publicado no jornal O Comércio do Porto de 30 de julho de 1937, depois de referir a criação do primeiro jardim botânico pelo barão de Castelo de Paiva ainda no século XIX e a sua extinção para que a Guarda Nacional ocupasse os terrenos já nos inícios do século XX ao tempo de Gonçalo Sampaio, A. Pires de Lima revelava uma perspetiva moderna e correta do que é um jardim botânico, não um simples jardim de lazer e passeio, mas principalmente um espaço de estudo, aplicação, ensino e divulgação da ciência botânica. Defendia a cultura de plantas medicinais (indígenas e exóticas) para estudo das suas aplicações comerciais, tal como a de plantas utilizadas pelas indústrias. Para financiar estes estudos propunha a ligação da Universidade à Indústria, à semelhança do que acontecia em Inglaterra. Sabendo que o ensino da botânica também necessita do apoio de um herbário, fez adaptar algumas salas do edifício principal da Quinta para instalar e aumentar o herbário português criado por Gonçalo Sampaio. Também criou um Index Seminum, inicialmente dirigido por Jorge Alberto Martins d’Alte, então assistente extraordinário e auxiliar de naturalista. A primeira edição ocorreu em 1954, tendo sido enviados mais de 300 exemplares para instituições de todo o mundo e distribuídos mais de 1300 pacotes de sementes a 123 instituições que as pediram.

Do total dos seus trabalhos publicados, alguns são dedicados a questões de ordem doutrinal ou política. As suas intervenções públicas neste contexto são pouco numerosas, mas nelas exprime o seu posicionamento relativamente a algumas das ideias-mestras do sistema político, tanto em relação à pátria continental, como relativamente à arquitetura colonial. Perfeitamente integrado no regime político que vigorava em Portugal, até por relações familiares com altos dirigentes, dele recebeu apoios diversos, nomeadamente para a publicação das suas obras.

Defendeu as linhas do ideário básico do regime, como a defesa intransigente da unidade nacional constituída por Portugal e pelas suas colónias, o culto do herói nacional e dos desígnios da “raça”. Numa comunicação ao Congresso da União Nacional, realizado em Coimbra em 1951 e depois publicada (em Espírito e matéria, 1952), A. Pires de Lima revelou originalidade dentro das balizas ideológicas do regime. Defendeu a instrução primária obrigatória, a “assistência médica efectiva aos alunos das escolas e a assistência psíquica”. Preconizou a instrução das massas mas também a criação de uma elite nas mãos da qual “estará com certeza os destinos de Portugal”. De seguida, elogiava os progressos materiais do Estado Novo, “mas tudo isto é progresso material, extremamente louvável e útil, mas puramente material”. Apontava os problemas que importava resolver: 1. A “higiene do leite”. 2. O ensino prático a todos os níveis. 3. A constituição e o envio de naturalistas e missões de estudo aos territórios ultramarinos. 4. A proteção à Ciência.

A existência de raças dentro da espécie biológica humana e, sobretudo e principalmente, a existência de correlações entre raça e características morais e intelectuais, a transmissibilidade genética direta de características morais e intelectuais como a inteligência, foram temas de ampla discussão nas primeiras décadas do século XX. Com esta problemática diretamente se relacionava a eugenia, a seleção ativa (ou passiva) de determinadas características em grupos humanos. Admitindo que era principalmente (ou exclusivamente) a herança genética o que determinava hábitos, comportamentos e ideias que passavam entre gerações, a eugenia propunha-se eliminar os “defeitos” e as “degenerescências” de grupos sociais e desta forma a melhoria da “raça”, pela exclusão (esterilização em alguns casos, eliminação física pura em situações bem conhecidas) dos portadores destes “defeitos”. Muitos intelectuais e académicos reputados, incluindo portugueses, defenderam este ideário, que esteve muito em voga nas primeiras décadas do século XX, até a II Grande Guerra ter mostrado até que ponto infame se pode usar politicamente (e abusivamente) este modo de pensar (mas não se extinguiu então). No caso português, a situação era particularmente propícia a desenvolvimentos desta natureza em virtude de duas circunstâncias relevantes inter-relacionadas: a grande diversidade de grupos sociais que constituíam o império (com territórios em vários continentes) e o passado histórico da nação, em particular o movimento de Expansão Quinhentista, visto como um “desígnio da raça portuguesa”.

A. Pires de Lima naturalmente que se envolveu na discussão destas temáticas. No seu trabalho publicado em 1938 Balanço correlacionava a Expansão com a existência de uma “raça” portuguesa que todavia revelava sinais de “decadência física”. Como regressar ao passado glorioso? Pela eugenia, “que nos ensina a obter uma raça originàriamente robusta e sem taras”. De que forma? Parece existir no pensamento de A. Pires de Lima uma evolução do que entende por eugenia. Num dos seus primeiros trabalhos – A decadência física do homem, publicado em 1912 e reeditado na coletânea Pregar no deserto…, publicada em 1931, depois de evocar a seleção natural operativa na Natureza e descrever as práticas que então se usavam para a seleção de animais domésticos – escolher para reprodutores os melhores exemplares; eliminando inexoràvelmente os indivíduos imperfeitos, considerava todavia que o homem “está fora das condições que regem os animais domésticos e os animais selvagens” e que portanto “não tem, como os animais, a seleção natural a corrigir os seus defeitos e a eliminar os degenerados”. Insurgiu-se contra a filantropia “altamente nociva e para a raça uma activa causa de decadência”. Qual a solução? “Basta que apliquemos os dados adquiridos pela sciência: divulgar e publicar os preceitos da higiene pública e particular, e impedir por todos os modos que os alienados, os criminosos, os degenerados de tôda a espécie, continuem procriando, transmitindo e multiplicando na descendência as suas taras e aleijões”. Refira-se que esta prática de impedir a procriação ou mesmo a esterilização dos indivíduos se manteve em vários países europeus até muito depois de terminada a II Grande Guerra. Num trabalho de 1938 parece revelar-se uma mutação no pensamento de A. Pires de Lima: passa a criticar os “exageros brutais praticados em certos países em nome da Eugenia”. Todavia, “dentro da mais irrepreensível ética, e mediante um vasto plano educativo, [a eugenia] pode prestar incalculáveis serviços à causa sagrada da defesa da raça. Mais e melhores portugueses eram necessários não só para povoar e cultivar o próprio Continente, mas também o nosso enorme Império Ultramarino”. Não defendia a exclusão nem a esterilização dos “defeituosos”, mas antes o seu tratamento. Neste trabalho chamava a atenção em particular para os benefícios do tratamento das crianças com raios ultravioletas de forma a obviar a uma série de patologias, sendo até “um meio eficaz de robustecer as crianças e de as tornar muito mais resistentes a tódas as infecções”.

Foi autor e coautor de vários livros para diversos graus de ensino. Juntamente com seu irmão Augusto César Pires de Lima publicou Leituras para o ensino primário, para a 3.a e 4.a classe. Escreveu ainda compêndios de botânica para os anos em que era ministrada e, juntamente com Augusto C. G. Soeiro, compêndios de biologia para o 3.º ciclo. Estas obras tiveram muitas edições que se prolongaram por um dilatado período de tempo.

Promoveu em 1939-1940 a edição de 12 Quadros de Botânica realizados por Manoel Cabral de Rezende Pinto, então assistente da secção de Botânica da Faculdade de Ciências do Porto, publicados pela Livraria Simão Lopes do Porto. Cada quadro, em grande formato, representava as etapas do ciclo de vida e a organização interna, de um organismo representativo dos principais grupos de vegetais, com indicação das estruturas principais e respetiva legenda.

Publicou vários trabalhos curtos sobre temas muito diversificados dentro da sua área de formação.

Durante a sua permanência de mais de um ano como médico militar em Moçambique, levou a cabo estudos de história natural, antropologia e etnografia das regiões onde se encontrava, em particular no território de Cabo Delgado, nas proximidades de Mocimboa da Praia e Palma. Recolheu plantas vasculares, constituindo um herbário com cerca de quatro centenas de espécimes, representando cerca de trezentas espécies, algumas novas para a ciência. Também recolheu um grande número de líquenes que foram estudados por E. Vainio, tendo este investigador finlandês publicado várias espécies novas para a ciência. Recolheu ainda insetos que foram objeto de estudo por parte do entomologista espanhol Ignacio Bolívar y Urrutia (1850-1944). Publicou também um conjunto de trabalhos, tanto do foro médico, como antropológico e botânico que em 1943 foram reunidos num único volume pela Agência Geral de Colónias.

A. Pires de Lima viveu ainda num período em que os medicamentos muito deviam ao mundo natural, em particular às plantas. Todavia, a entrada da química na produção de fármacos era visível e aparentava tornar-se inexorável. Em vários dos seus escritos defendeu o estudo objetivo e com métodos modernos das propriedades medicinais das plantas e apontou as vantagens dos medicamentos à base de plantas e as desvantagens dos confecionados com substâncias químicas purificadas, enfim lutava contra o que entendia ser um “divórcio entre a Medicina e a Botânica”, expressão com que intitula um trabalho publicado em 1941. Neste contexto, o trabalho de maior envergadura foi dedicado às plantas medicinais do Gerês e publicado em 1950 nos Anais da Faculdade de Farmácia do Porto. Neste trabalho, cruzou a informação existente nos trabalhos de florística e sistemática com a contida nos livros de matéria médica, desde os clássicos da Antiguidade até a obras de referência publicadas entre finais do século XIX e meados do século XX e as farmacopeias. Em cada espécie, citou os usos farmacêuticos e médicos, desde os apresentados por Dioscórides até aos mais recentes. Naturalmente que as informações revelaram-se contraditórias relativamente a várias plantas, mas em muitas outras as propriedades postuladas nos textos antigos tinham sido confirmadas pela farmácia e medicina do seu tempo.

Escreveu biografias (F. Redi, M. Malpighi, L. Spallanzani, Madame Curie, Brotero, Alexandre Rodrigues Ferreira, F. Welwitsch, Rodrigo de Sousa Coutinho), trabalhos sobre a história dos Descobrimentos e da medicina ultramarina, a história natural insular e ultramarina (incluindo o Brasil) e a botânica medicinal ultramarina. 

Divulgou e estudou um número apreciável de documentos relativos sobretudo à botânica ultramarina. Boa parte destes documentos fazia parte do Arquivo Histórico Colonial, onde permanecem, sendo neste contexto de salientar o papel de Alfredo Mendes Gouveia, funcionário deste arquivo, que transcreveu boa parte dos documentos originais.

Dedica alguns estudos às origens da Universidade do Porto, em particular da Academia Real de Marinha e Comércio do Porto, da Academia Politécnica e da sua secção de Botânica, e finalmente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Dedicou especial atenção à história da botânica no Porto, incluindo a história do jardim botânico publicando em 1942 A Botânica no Porto. Notas biográficas e bibliográficas no qual fez uma descrição histórica dos estudos botânicos no Porto e do jardim botânico, seguida de biografias e bibliografias de todos os académicos e professores ligados a esta disciplina. Também publicou trabalhos diversos sobre as universidades portuguesas e o ensino universitário, em particular o ensino da farmácia e da medicina e o papel das universidades em contexto colonial. 

São de assinalar ainda evocações biográficas de personalidades muito diversas, como o conde de Linhares, Gonçalo Sampaio, conde de Ficalho, António Maria Cardoso, Andrès de Laguna, Alfredo de Magalhães, Pedro Vitorino. Nas biografias, evoca não só a obra do biografado, como o seu perfil ético e moral.

Logo no início da sua carreira docente, A. Pires de Lima publicou em 1912 um trabalho sobre as teorias e mecanismos da evolução propostos por Lamarck, Darwin, August Weismann, Félix Le Dantec, Hugo de Vries e Gregor Mendel (A evolução do transformismo). Em 1950 saiu um trabalho em que descreveu a polémica que tinha decorrido na União Soviética entre partidários de Lyssenko e de Mitchurine e defensores da genética mendelo-morganiana (Cisma soviético na Biologia). Numa época em que a Microbiologia se estabelecia como disciplina autónoma com objetivos e métodos de trabalho próprios, o trabalho de divulgação publicado em 1943 com o título singelo de Micróbios merece destaque no contexto nacional. Com uma visão bastante abrangente e até ecológica, é dado natural destaque às bactérias patogénicas para o homem, mas nunca descurando, e até mesmo enfatizando, a sua ecologia e habitat.

João Paulo Cabral
Professor universitário aposentado

Arquivos

O espólio documental de Américo Pires de Lima encontra-se no Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

Obras

Pires de Lima, Américo. O valor hygienico do leite do Porto. Porto: Typ. a vapor da Encyclopedia Portuguêsa Illustrada, 1911.

Pires de Lima, Américo. Pregar no deserto… Porto: Tipografia Sequeira, 1931.

Pires de Lima, Américo. Confissões a um frade mouco. Porto: Portucalense Editora, 1942.

Pires de Lima, Américo. Micróbios. Porto: Portucalense Editora, 1943.

Pires de Lima, Américo. Explorações em Moçambique. Lisboa: Agência Geral das Colónias, 1943.

Pires de Lima, Américo. Correspondência oficial de Welwitsch. Lisboa: Agência Geral das Colónias, 1949.

Pires de Lima, Américo. Intus Et Extra. Porto: Imprensa Moderna, 1950.

Pires de Lima, Américo. “Plantas medicinais do Gerês.” Anais da Faculdade de Farmácia do Porto 10 (1950): 41-132.

Pires de Lima, Américo. Espírito e matéria. Porto: Separata de O Médico 39 (1952).

Pires de Lima, Américo. O Doutor Alexandre Rodrigues Ferreira. Lisboa: Agência Geral do Ultramar, 1953.

Bibliografia sobre o biografado

Cabral, João Paulo. “Américo Pires de Lima, o criador do Jardim Botânico.” O Tripeiro, 7.série, Ano XLI, #2 (2022): 36–41.

Palhinha, Rui Teles (Ruy Telles Palhinha)

Angra do Heroísmo, 4 janeiro 1871 — Lisboa, 13 novembro 1957

Palavras-chave: botânica, história da botânica, Açores.

Rui Teles Palhinha sucedeu a António Xavier Pereira Coutinho na direção da secção de Botânica e do Jardim Botânico da Faculdade de Ciências de Lisboa, tendo-se dedicado sobretudo ao ensino da botânica e ao estudo das plantas dos Açores.

Completou o curso do liceu de Santarém em 1888 e em 1892 terminou o curso da Faculdade de Filosofia Natural da Universidade de Coimbra. Em 1896 foi colocado no Liceu de Santarém e em 1900 no Liceu Central de Lisboa. Em 1908 foi nomeado reitor do Liceu de Camões e em 1910 transferido a seu pedido para o Liceu de Passos Manuel, onde se conservou até 1926, quando abandonou o ensino liceal. De 1915 a 1927 foi professor de metodologia especial do grupo das Ciências Histórico-Naturais e diretor da Escola Normal Superior de Lisboa.

Simultaneamente entrou para o ensino universitário. Em 1904 foi nomeado, após concurso, lente substituto da Escola Politécnica de Lisboa, sendo provido definitivamente no lugar em 1908. Em 1911, por transformação da Escola Politécnica em Faculdade de Ciências, passou à categoria de professor extraordinário e em 1918 foi nomeado professor ordinário. Por proposta do Conselho da Faculdade de Ciências, foi nomeado em 1921 diretor da Secção de Botânica e do Jardim Botânico, na vaga deixada pela jubilação de Pereira Coutinho (1851–1939). De 1904 a 1927 desempenhou as funções de secretário da Escola Politécnica e, depois, da Faculdade de Ciências. Foi também, durante muitos anos, diretor da Biblioteca da Escola Politécnica e depois bibliotecário da Faculdade de Ciências. Foi também diretor, por eleição, da Faculdade de Farmácia de Lisboa. Demitiu-se desse cargo em 1926 a fim de completar o respetivo curso, após o que foi convidado a exercer o cargo de professor da mesma Faculdade, de que pediu a exoneração em 1932. Atingiu o limite de idade em 1941. Em 1968, a Portaria 23326 instituiu o prémio escolar Prof. Doutor Ruy Telles Palhinha a ser concedido ao aluno da Faculdade de Ciências de Lisboa que tivesse a mais alta classificação na disciplina de taxonomia das plantas vasculares.

Foi sócio de várias sociedades e associações científicas nacionais e estrangeiras. Desde 9 de fevereiro de 1953 era sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa no lugar deixado por Antero F. de Seabra (1874–1952).

Luís Gonçalves da Cunha, naturalista da Faculdade de Ciências, que o acompanhou nas explorações açóricas, numa biografia publicada em 1958, destacou o primado do professor sobre o botânico, a “sua vasta cultura filosófico-científica,” tanto nas ciências como nas letras e nas línguas, a sua “prodigiosa” memória e capacidade física, o “trato afável”, por vezes com “extremos de sensibilidade,” a sua independência face aos contextos nacionais da época em que viveu.

Palhinha publicou biografias de naturalistas e académicos portugueses, estudos sobre a história de cursos e instituições e da botânica em Portugal, promoveu a publicação de obras relevantes de botânica e estudou a flora dos Açores.

Nas biografias de Jules Daveau (1852–1929), Pereira Coutinho, Brotero (1744–1828), Francisco Manuel de Melo Breyner (1837–1903), Antero de Seabra e Domingos Vandelli (1735–1816), Palhinha destacou não só as qualidades científicas dos biografados como alguns traços do seu carácter e personalidade. Publicou também um trabalho no qual descreveu e discutiu com pormenor o sistema original de classificação das plantas de Brotero, que diferia do sistema lineano. Dedicou ainda um estudo ao Jardim Botânico de Lisboa, do qual foi diretor durante duas décadas, descrevendo a sua origem e progressão até à sua direção.

Tendo-lhe sido confiado por Francisco de Melo da Costa (1890—945), 3.º marquês de Ficalho, pouco antes de falecer, um conjunto de documentos epistolares em posse do seu avô–conde de Ficalho, publicou Palhinha estudos sobre alguns destes documentos, importantes para a compreensão da história da botânica em Portugal.

Em 1948 foram publicados três desses trabalhos. No estudo publicado no Anuário da Sociedade Broteriana, Palhinha transcreveu e analisou 27 cartas de Júlio A. Henriques (1838–1928) para o conde de Ficalho e uma dirigida a Daveau, às quais acrescentou duas cartas do conde de Ficalho para Henriques, existentes no arquivo do Instituto de Botânica de Coimbra. Esta análise revelou elementos sobre a personalidade de Henriques quanto aos seus objetivos em relação ao estudo da flora portuguesa e ao ensino da botânica e à promoção do Herbário da Universidade de Coimbra. Poder-se-á acrescentar que estas cartas revelam a grande colaboração que existia entre os botânicos da Escola Politécnica e da Universidade de Coimbra, membros de uma rede de académicos, da qual também fazia parte Gonçalo Sampaio da Academia Politécnica do Porto, que almejavam a renovação da botânica portuguesa, na prossecução da obra iniciada com Brotero. No trabalho publicado na revista Brotéria (série de Ciências Naturais) foram transcritas quatro cartas de Isaac Newton (1840–1906) para o conde de Ficalho, escritas entre 1881 e 1887, relacionadas com os líquenes das coleções africanas de Frederico Welwitsch (1806–1872). Neste mesmo volume da Brotéria (série de Ciências Naturais) R. T. Palhinha publicou ainda a transcrição e estudo de oito cartas e um postal de Alphonse de Candolle (1806–1893) ao conde de Ficalho (e ainda uma carta do botânico suíço dirigida possivelmente a Bernardino António Gomes). Da análise destes documentos epistolares, Palhinha concluiu sobre o elevado valor que o herbário organizado por Welwitsch tinha a nível internacional.

No ano seguinte, 1949, também na revista Brotéria (série de Ciências Naturais), Palhinha transcreveu e comentou seis cartas de August Schweinfurth (1836–1925) dirigidas ao conde de Ficalho, datadas entre 1881 e 1883. Nestas cartas, e à semelhança do que tinha feito Candolle, Schweinfurth reclamava uma parte do herbário de Welwitsch, que este teria consignado no seu testamento. Invocava o acordo que se tinha encontrado entre o governo português e o British Museum, que tinha aceitado os termos do testamento. Os espécimes do herbário de Welwitsch foram efetivamente enviados e Schweinfurth, em carta datada de 1883, agradecia o seu envio e prometia remeter para a Escola Politécnica um herbário de plantas do nordeste africano.

Na revista Brotéria de 1955 (série de Ciências Naturais) publicou treze cartas de Edmond Goeze (1838–1929) para o conde de Ficalho, escritas entre 1873 e 1880. No Anuário da Sociedade Broteriana desse ano, Palhinha transcreveu e reproduziu um documento escrito por Welwitsch, datado de 1852, dirigido ao lente de Botânica da Escola Politécnica. Este documento acompanhava alguns exemplares do género Umbilicus que Welwitsch pensava representarem talvez uma variedade nova sumariamente referida por Brotero na sua Flora. Welwitsch enviava também sementes do que poderiam ser espécies novas para a flora portuguesa. Numa abordagem metodológica exemplar, Palhinha analisou e discutiu pormenorizadamente os elementos taxonómicos fornecidos por Welwitsch, cotejando com bibliografia sobre a flora portuguesa, com exemplares do Herbário da Faculdade de Ciências recolhidos por Welwitsch e com anotações deste naturalista no seu exemplar da flora de Brotero, finalizando com a identificação das plantas mencionadas pelo naturalista austríaco que, afinal, não eram táxones novos pois os encontrara descritos na bibliografia.

Uma outra relevante actividade de Palhinha foi a direção da segunda edição da Flora de Portugal de António Xavier Pereira Coutinho, que saiu em 1939. O autor tinha o manuscrito pronto para ser publicado, mas sentindo que a tarefa já o ultrapassaria pediu a Palhinha para dirigir a edição, que aceitou. Os fundos foram obtidos do Instituto de Alta Cultura. Além da correção das provas, Palhinha fez ainda a atualização de várias denominações botânicas.

Neste âmbito, trabalhos importantes do conde de Ficalho sobre a história da botânica tiveram reedições prefaciadas por Palhinha, patrocinadas pela Agência Geral das Colónias—Memória sobre a malagueta e as Plantas úteis da África Portuguesa. No antelóquio à segunda edição das Plantas úteis, Palhinha traçava uma vida e obra do seu autor, destacando a sua personalidade. No que respeita à botânica, pôs em relevo a actividade do conde de Ficalho na promoção do Herbário da Escola Politécnica e do Jardim Botânico, no estabelecimento de relações científicas com outros estabelecimentos como o Jardim Botânico de Kew, a concretização da transferência dos herbários da Academia das Ciências para a Escola Politécnica e a organização do Museu Nacional, com as suas três secções de história natural. Relativamente ao papel do conde de Ficalho em relação ao espólio de Welwitsch, Palhinha considerava pessoalmente que os herbários organizados pelo botânico austríaco pertenciam ao Estado português, considerando incorreta a atitude de Welwitsch ao distribuir as suas coleções botânicas por diversas instituições e naturalistas de todo o mundo, num testamento redigido em 1872, poucos dias antes de falecer. A atitude controversa do naturalista austríaco gerou litígio em tribunal inglês, tendo o Estado português sido representado por Bernardino António Gomes filho (1806–1877). A Portugal foi reconhecido o direito às coleções que tinham sido feitas por Welwitsch na África ocidental, a expensas do governo português. As coleções de história natural, reenviadas de Inglaterra, incluindo os espécimes de herbário, deram entrada na Academia das Ciências tendo depois transitado para o Museu Nacional de Lisboa. Muitos dos espécimes de herbário que ficaram em Lisboa foram revistos pelo conde de Ficalho. O estudo deste material de herbário foi de grande importância para o conde de Ficalho redigir a obra cuja segunda edição Palhinha prefaciava.

Relativamente à flora de Portugal, Palhinha publicou em 1946 na revista Brotéria um estudo das plantas aromáticas e medicinais do país, ampliando um trabalho que tinha apresentado ao I Congresso Nacional de Ciências Agrárias. São enumeradas espécies tanto da flora portuguesa como exóticas cultivadas, organizadas por ordem taxonómica. Indicam-se os princípios ativos e formas de sua extração. O carácter utilitário e de aplicação prática deste trabalho é saliente, como o próprio autor reconheceu. A 20 de dezembro de 1940 proferiu a sua última lição que foi depois editada com o título de Distribuição dos endemismos portugueses. Neste texto salientou a dualidade da flora de Portugal continental, que apresenta tanto espécies norte-atlânticas como mediterrâneas, diminuindo as primeiras de norte para sul e o inverso ocorrendo com as segundas. Salientou depois que na flora portuguesa existe um número relativamente elevado de endemismos, sendo o isolamento o principal fator geral na origem destas espécies endémicas. Usando a informação contida na edição de 1937 da flora de Pereira Coutinho, Palhinha repartiu os táxones (espécies, subespécies e variedades) endémicos do continente pelas regiões biogeográficas de Bernardino Barros Gomes (representadas na sua Carta orographica e regional de Portugal, 1875), apresentando mapas elucidativos. As três regiões de maior número de endemismos eram a Estremadura (Centro Litoral), o Baixo Alentejo Litoral e o Algarve, em virtude de condições climáticas especiais e ainda pela presença das Berlengas e dos Cabos que, ao longo da costa, são pontos de interesse botânico. Para cada uma destas regiões enumerou as plantas endémicas. Em julho de 1948 realizou-se no Gerês a I Reunião de Botânica Peninsular. Os trabalhos apresentados ao simpósio foram publicados na revista Agronomia lusitana(1950) sob o patrocínio do Instituto de Alta Cultura. Palhinha prefaciou a obra que continha um trabalho seu sobre a flora geresiana. Neste trabalho, analisou e discutiu a distribuição em Portugal das plantas que ocorrem no Gerês, destacou dentro destas as plantas que no país só ocorrem no Gerês, e enumerou as plantas novas para Portugal que foram encontradas durante as excursões realizadas no Gerês durante o simpósio. Discutiu a distribuição geográfica das plantas da flora geresiana, destacando o facto de dos 597 táxones conhecidos, 109 serem plantas ibéricas.

A flora do arquipélago dos Açores era estudada por naturalistas estrangeiros desde finais do século XVIII. Um dos primeiros visitantes botânicos ao arquipélago foi Francis Masson (1741–1805) enviado pelo Jardim Botânico de Kew, tendo feito escala nos Açores em 1777. As espécies novas para a ciência recolhidas por Masson foram descritas por William Aiton (1731–1793), então diretor do estabelecimento, no Hortus Kewensis de 1789. As explorações da história natural do arquipélago intensificaram-se no século XIX. Em 1838, uma equipa da qual faziam parte Christian Ferdinand Friedrich Hochstetter (1787–1860) e seu filho Karl Christian Friedrich Hochstetter (1818–1880), estudaram a história natural de várias ilhas. Em 1844, Moritz August Seubert (1818–1878) publicou em Bona a Flora Azorica, com base no material recolhido e nas observações de Hochstetter pai e filho. Foram referenciadas um total de 400 espécies de vegetais, sendo várias novas para a ciência, tanto no grupo das algas como nas plantas vasculares. Das plantas inventariadas, 50 foram consideradas como endémicas. Constitui a primeira flora dos Açores, ainda hoje de consulta indispensável. A obra Natural History of the Azores or Western Islands de Frederick DuCane Godman (1834-1919) publicada em 1870 tinha capítulos dedicados à flora do arquipélago da autoria de Hewett Cottrel Watson (1804–1881) para as plantas vasculares, e de William Mitten (1819–1906) para os briófitos, que recorria às suas próprias observações e materiais, bem como ao herbário do cônsul britânico Thomas Carew Hunt (em funções no arquipélago entre 1844 e 1848) e ainda as herborizações feitas por Godman e plantas enviadas por António da Costa Paiva, 1.º barão de Castelo de Paiva (1806–1879) aos herbários de Kew. William Trelease (1857-–1945) tinha estado nos Açores em 1894 e 1895 recolhendo material que foi usado na sua obra Botanical Observations on the Azores, publicada em 1897. Na introdução a este trabalho, W. Trelease chamava a atenção para o elevado número de plantas exóticas cultivadas como ornamentais nos espaços exteriores das ilhas. Algumas destas tinham-se naturalizado e até ocupavam alguma proeminência na paisagem. Ao mesmo tempo a flora endémica tinha-se reduzido em parte pela utilização de toda a terra disponível para fins agrícolas. Em algumas ilhas as próprias pastagens de altitude estavam a ser substituídas por campos com plantas forrageiras levadas da Europa e da América. As terras de baixa altitude, nas quais não se deixava um palmo de terra livre, estavam repletas de plantas cosmopolitas de introdução recente.

É neste contexto que em 1934, 1937 e 1938 Palhinha acompanhado por Adriano Gonçalves da Cunha (1902–1986), investigador do Instituto Bento da Rocha Cabral, e Luís Gonçalves Sobrinho (1907–1969), naturalista e docente da Faculdade de Ciências de Lisboa, realizaram os seus primeiros trabalhos botânicos no arquipélago. Apesar da flora vascular ser razoavelmente bem conhecida pelos trabalhos já referidos de naturalistas estrangeiros, os herbários nacionais (continente) eram muito pobres em exemplares açóricos e as floras de Gonçalo Sampaio e de Pereira Coutinho restringiam-se praticamente ao continente. Destas expedições botânicas resultaram vários trabalhos que foram sendo publicados na revista Açoreana. Em 1943 publicou um primeiro catálogo dos fetos (pteridófitos) dos Açores, no qual discute a espontaneidade ou o carácter exótico das espécies que cresciam no arquipélago. Em 1950, também nesta revista, publicou uma primeira lista das plantas vasculares autóctones (naturais) do arquipélago. Apesar de no território cresceram cerca de 700 táxones de plantas vasculares, a grande maioria (3/4) é de plantas exóticas ou naturalizadas, restando apenas 167 táxones nativos (autóctones) do arquipélago, incluindo 53 endemismos açóricos. Todavia, nos fetos, a maioria é constituída por espécies autóctones. Das plantas nativas não-endémicas a grande maioria também ocorre na Europa e na América do Norte, sendo minoritária a influência mediterrânica. As plantas exóticas ou naturalizadas eram da mesma forma maioritariamente norte-americanas ou europeias. A importante (e difícil) questão da determinação do carácter autóctone ou exótico das várias plantas que crescem nos Açores foi precisamente o objetivo de um trabalho que publicou também na revista Açoreana. Neste trabalho, Palhinha apresenta uma primeira lista das plantas exóticas que cresciam nas ilhas do arquipélago, indicando, para cada táxon, a sua origem geográfica.

Em 1951, Palhinha publicou um trabalho sobre os nomes populares das plantas nos Açores. Salientou corretamente, logo no início da obra, o carácter subjetivo dos nomes populares de plantas, dado que a mesma espécie pode ter no mesmo país vários nomes vulgares e o mesmo nome comum pode ser aplicado a espécies distintas. Por esta razão tornava-se indispensável a participação dos botânicos na elaboração das listas dos nomes vulgares de plantas, dado que estes devem ser referenciados ao respetivo nome científico. Para cada nome vulgar são indicados o(s) nome(s) científico(s) da(s) planta(s) a que ele se refere.

Em 1957 revia, com a ajuda de António Rodrigo Pinto da Silva (1912–1992), o manuscrito do seu Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores, quando morre num acidente de viação. O manuscrito seria publicado em 1966 depois de revisto e completado com adições substantivas (criação de uma subespécie nova, mudança de estatuto de duas variedades para subespécies e criação de uma nova combinação) por Pinto da Silva, que na introdução explica com pormenor em que consistiu a sua edição do manuscrito de Palhinha. Foram apresentados 699 táxones da flora vascular dos Açores. 

João Paulo Cabral
Professor universitário aposentado

Obras

Palhinha, Ruy Telles. Distribuição dos endemismos portugueses. Última lição proferida na Faculdade de Ciências de Lisboa quando da sua jubilação, mandada imprimir pelos seus assistentes, 12 páginas, 4 mapas, Lisboa, 1940.

Palhinha, Ruy Telles. “Pteridófitos do arquipélago dos Açores.” Açoreana 3 (1943): 87–117.

Palhinha, Ruy Telles. “Plantas aromáticas de Portugal.” Brotéria-Ciências Naturais 15–17 (1946–1948): 97–113.

Palhinha, Ruy Telles. Antelóquio a Plantas úteis da África Portuguesa, pelo Conde de Ficalho, vii-xvi. Lisboa: Agência Geral das Colónias, 1947.

Palhinha, Ruy Telles. “Subsídios para o conhecimento da Flora Açoriana.” Açoreana 4 (1949): 267–276.

Palhinha, Ruy Telles. “Alguns dados estatísticos acerca da flora geresiana.” Agronomia Lusitana 12 (1950): 493–498.

Palhinha, Ruy Telles. “Nomes populares de plantas nos Açores.” O Instituto 115 (1951): 74–101.

Palhinha, Ruy Telles. “Plantas exóticas existentes nos Açores.” Açoreana 5 (1953): 1–9.

Palhinha, Ruy Telles. “Uma carta de Welwitsch.” Anuário da Sociedade Broteriana 21 (1955): 5-12.

Palhinha, Ruy Telles. Catálogo das plantas vasculares dos Açores. Lisboa: Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves, 1966.

Bibliografia sobre o biografado

Cunha, A. Gonçalves da. “Prof. Doutor Ruy Telles Palhinha.” Boletim da Sociedade Broteriana 32 (1958): vii-xx.